Morte de Paciente Após Alta Médica em Marabá Levanta Suspeitas de Erro no Diagnóstico de Gravidez Ectópica

 Morte de Paciente Após Alta Médica em Marabá Levanta Suspeitas de Erro no Diagnóstico de Gravidez Ectópica

Redação

Uma trágica sequência de eventos culminou na morte de Leudimere da Silva Rodrigues, uma jovem mãe de 28 anos, em Marabá, gerando sérias preocupações sobre a qualidade do atendimento médico prestado. Após ser internada e receber alta do Hospital Materno Infantil (HMI), Leudimere passou dez dias em casa com um sangramento contínuo que, lamentavelmente, a levou a óbito em 21 de maio. O caso, inicialmente mantido em sigilo, veio à tona e já é objeto de investigação pela Polícia Civil, levantando a suspeita de um grave erro médico que poderia ter sido evitado.

O Diagnóstico Inicial e a Realidade Oculta

Leudimere da Silva Rodrigues deu entrada no HMI em 9 de maio, sendo liberada no dia seguinte. Durante sua internação, a equipe médica teria tratado seu quadro como uma gestação intrauterina que evoluiu para óbito fetal. Com base nessa hipótese, foi realizado um procedimento de curetagem, destinado à remoção de restos gestacionais. Entretanto, conforme aponta a análise de um médico familiarizado com o caso, e a forte desconfiança da família, a paciente sofria, na verdade, de uma gravidez ectópica – uma condição onde o embrião se implanta fora do útero, geralmente nas trompas de Falópio.

A não identificação correta da gravidez ectópica foi um ponto crítico. Sem o diagnóstico preciso, a cirurgia específica para remover a gestação da trompa e prevenir complicações fatais não foi realizada, resultando na ausência de tratamento adequado para uma condição de alto risco. A família de Leudimere aponta diretamente para esta falha diagnóstica como a causa da trágica evolução do quadro de saúde da jovem.

A Progressão Fatal e a Busca por Ajuda Desesperada

Uma vez que a trompa de Falópio não possui a estrutura para suportar o desenvolvimento de uma gestação, o rompimento do órgão é uma consequência inevitável em casos de gravidez ectópica não tratada. Esse rompimento provoca uma severa hemorragia interna, culminando em um choque hipovolêmico, o que se confirmou como a causa da morte de Leudimere da Silva Rodrigues: choque hipovolêmico após hemorragia intra-abdominal, decorrente de uma gravidez tubária que rompeu a trompa.

Diante do agravamento progressivo de seu estado de saúde ao longo de dez dias após a alta, com sangramentos incessantes, a família buscou auxílio em uma unidade de saúde localizada na Vila Três Poderes, na zona rural de Marabá. Contudo, a estrutura disponível no local era insuficiente para atender à gravidade do caso, não conseguindo reverter o quadro crítico. Leudimere veio a falecer após um período de intenso sofrimento.

A Luta por Justiça e Esclarecimentos

Após o falecimento de Leudimere, os familiares, profundamente abalados, tomaram medidas para que o caso fosse devidamente investigado. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Marabá para a realização de exame de necropsia, um passo fundamental para determinar oficialmente a causa da morte. Paralelamente, foi registrado um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil, que agora é responsável pela apuração detalhada dos fatos e das responsabilidades no atendimento prestado no HMI.

Embora a família, ainda em luto profundo, tenha optado por não conceder entrevistas formais, um dos parentes, em contato telefônico com a reportagem, expressou a convicção de que houve um “erro médico” no processo. A comunidade e os familiares aguardam ansiosamente por respostas claras e a devida responsabilização, enquanto a Prefeitura de Marabá, procurada pela imprensa, ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido, aumentando a expectativa por uma nota de esclarecimento.

Fonte: https://correiodecarajas.com.br

    Deo Martins