Operação da polícia federal mira esquema de extração ilegal de madeira no pará

 Operação da polícia federal mira esquema de extração ilegal de madeira no pará

Reprodução / correiodecarajas.com.br

Ações coordenadas por forças de segurança federal movimentaram municípios paraenses na quarta-feira (21). A Polícia Federal deflagrou a Operação Saldo Zero com a missão de desarticular um esquema voltado à exploração, ao beneficiamento, ao armazenamento e à comercialização irregular de produtos florestais na região. A mobilização ocorreu em parceria com o Ibama.

A ofensiva conjunta resultou no cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As diligências mobilizaram equipes policiais para endereços estratégicos ligados aos investigados, visando angariar provas materiais sobre o funcionamento da rede clandestina de exploração de recursos naturais no estado.

Alvos e abrangência da operação no estado

O cumprimento das ordens judiciais espalhou-se por diferentes pontos do território paraense, atingindo locais apontados como centrais na cadeia logística do esquema. Três mandados concentraram-se em serrarias situadas no município de Anapu, localizado a aproximadamente 364 quilômetros de Marabá.

Outro alvo da operação foi uma madeireira estabelecida em São Domingos do Araguaia, distante cerca de 55 quilômetros de Marabá. O quinto mandado foi cumprido diretamente na residência de um dos principais investigados, apontado como proprietário de uma das serrarias sob suspeita.

Indícios de irregularidades e controle ambiental

As investigações preliminares conduzidas pelas autoridades apontaram diversas transgressões nas normas que regulamentam o setor madeireiro. A Polícia Federal identificou estabelecimentos que mantinham atividades ativas mesmo estando com os registros suspensos ou formalmente embargados por órgãos de proteção ambiental.

Além disso, constatou-se a operação de locais totalmente desprovidos das licenças e autorizações obrigatórias exigidas pela legislação. Durante as apurações de campo, agentes encontraram volumes expressivos de toras e madeira serrada, evidenciando uma rotina intensa de beneficiamento e transporte de produtos florestais à margem da lei.

Inconsistências em sistemas oficiais e origem da madeira

Um dos aspectos que motivaram a atuação dos órgãos federais foi a verificação de inconsistências graves nos registros oficiais de controle. O Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora) apontava saldo inexistente de produtos para um dos estabelecimentos fiscalizados, contrastando com os fortes indícios de funcionamento comercial contínuo.

A investigação também busca esclarecer se parte significativa da matéria-prima apreendida ou comercializada tem origem em áreas de florestas públicas federais protegidas. A apuração segue em andamento para mapear toda a cadeia produtiva, desde a derrubada clandestina até a venda final ao consumidor.

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    Deo Martins