Agente federal atira em homem durante operação de imigração em Nova York
Ação federal em área residencial gera tensão no Bronx
Uma operação de fiscalização do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) terminou em violência nesta quinta-feira, 8, em Marble Hill, uma área situada entre Manhattan e o Bronx, em Nova York. Um homem de 28 anos, identificado como Oscar Belgal, foi atingido por um disparo no pescoço efetuado por um agente federal enquanto estava dentro de um veículo acompanhado por uma criança de 5 anos. O caso reacendeu o debate sobre as táticas de abordagem utilizadas por autoridades migratórias em centros urbanos.
Segundo informações da comissária da polícia de Nova York, Jessica Tisch, o incidente ocorreu quando agentes federais à paisana se aproximaram do veículo de Belgal no momento em que ele tentava estacionar. Relatos indicam que os agentes utilizavam coletes de construção civil e máscaras, o que, segundo autoridades locais, dificultou a identificação imediata da equipe como força policial. Ao tentar manobrar o carro, o homem foi alvo de pelo menos sete disparos, um dos quais o atingiu abaixo da orelha esquerda.
Controvérsia sobre identificação e protocolos de abordagem
A atuação dos agentes federais foi duramente criticada por lideranças políticas da região. O vereador Zohran Mamdani classificou a operação como injustificável, apontando que a falta de uniformes claros e o uso de trajes civis colocaram em risco não apenas o alvo da operação, mas também a criança que estava no banco do passageiro. A criança não sofreu ferimentos físicos, mas o episódio gerou revolta entre moradores e autoridades locais.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) defendeu a operação, justificando que o alvo era um estrangeiro com histórico de condenações por furto qualificado e processos pendentes por tráfico de drogas. A agência argumentou que a necessidade de prisões em ambientes públicos decorre das chamadas políticas de santuário, que restringem a cooperação entre autoridades locais e federais. Contudo, o histórico recente de disparos em abordagens veiculares pelo ICE — que somam mais de uma dúzia de casos desde o ano passado — tem colocado a agência sob pressão para revisar seus protocolos de segurança.
Repercussão política e protestos nas ruas
O caso provocou uma onda de manifestações em Nova York. Na noite de quinta-feira, grupos de ativistas marcharam até o hospital onde Belgal recebia atendimento, bloqueando vias e entrando em confronto com a polícia local, que instalava barricadas. Políticos como a vereadora Carmen De La Rosa expressaram indignação com a condução da operação, enquanto a governadora Kathy Hochul afirmou ter buscado diálogo direto com o governo federal para questionar os procedimentos adotados.
Apesar das tentativas de autoridades locais em intervir na situação, Belgal foi transferido do hospital sob custódia federal na madrugada de sexta-feira. O episódio sublinha a profunda divisão entre a política de imigração do governo Donald Trump e as administrações democráticas de cidades como Nova York, que buscam limitar a presença ostensiva de agentes federais em suas comunidades.
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