Marco Rubio afasta ajuda na saída de Flávio Bolsonaro e confirma aval de Trump

 Marco Rubio afasta ajuda na saída de Flávio Bolsonaro e confirma aval de Trump

Will Oliver

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31) que o governo norte-americano não participou da facilitação da fuga do senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro (PL). Contudo, o representante diplomático confirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu aval direto para permitir a entrada do político brasileiro no país.

Durante entrevista coletiva realizada em Atlanta, onde participava de uma reunião de chanceleres do G20, Rubio detalhou os contornos da chegada de Flávio ao território norte-americano. Segundo o secretário, a administração dos Estados Unidos não esteve envolvida em nenhum arranjo logístico ou nos movimentos que antecederam a saída do senador do território brasileiro.

Entrada autorizada e contexto das investigações

Rubio explicou que, embora Washington não tenha prestado auxílio direto no deslocamento, o presidente norte-americano havia sinalizado previamente que, caso Flávio alcançasse um ponto oficial de entrada, receberia um parole, que consiste em uma autorização temporária de permanência. O senador desembarcou nos Estados Unidos após o segundo turno das eleições, nas quais foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A viagem ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a entrega de passaportes e proibiu o parlamentar de deixar o país em meio a apurações em curso. Diante das restrições judiciais, Flávio optou por se deslocar para o exterior e declarou publicamente considerar-se alvo de perseguição, negando qualquer irregularidade em sua conduta.

Reunião bilateral e diálogo diplomático

As declarações do secretário de Estado emergem em um cenário de sensibilidade nas relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos. Nos bastidores do encontro de ministros do G20, Marco Rubio e o chanceler brasileiro Mauro Vieira mantiveram um diálogo breve e alinharam a realização de um novo encontro nas semanas seguintes.

A reunião futura deve acontecer antes da cúpula de líderes do grupo, programada para dezembro em Miami. Apesar das divergências geradas pelo episódio envolvendo o senador brasileiro, uma fonte diplomática ouvida pela Reuters indicou que o governo do Brasil adota uma postura de cautela e não pretende elevar o tom político em torno da controvérsia.

Cenário internacional e negociações com o Irã

Além da situação envolvendo o Brasil, a coletiva de imprensa abordou desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio. Marco Rubio comentou que o presidente Donald Trump ainda não bateu o martelo sobre uma eventual retomada de operações militares contra o Irã, enfatizando que a prioridade de Washington permanece voltada para uma solução diplomática, embora o aparato militar continue em posição de prontidão.

As tratativas mediadas pelo Catar continuam ativas em Doha e Teerã, envolvendo negociadores iranianos em contatos coordenados regularmente com a diplomacia norte-americana. A suspensão temporária de novos ataques por parte de Trump ocorre enquanto o cenário político interno nos Estados Unidos se volta para a preparação das eleições de meio de mandato.

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    Deo Martins