Manifestantes protestam em São Paulo contra redução de ônibus no segundo turno

Cedido ao Metrópoles
Um grupo de manifestantes reuniu-se na noite de quarta-feira (28/10) em frente à Prefeitura de São Paulo para protestar contra a redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10). Além de criticarem a gestão do transporte público municipal, os presentes pediram a saída do prefeito Ricardo Nunes (MDB) do cargo, em meio a discussões políticas sobre o episódio que repercutiram nacionalmente.
A mobilização inicial partiu do movimento estudantil e ganhou o reforço de legendas políticas como o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Unidade Popular (UP). Para os próximos dias, novas manifestações com pautas semelhantes foram agendadas em locais de grande circulação no centro da capital paulista, mantendo o tema em evidência no debate público local.
Pressão política e análise de impeachment na câmara
A administração municipal virou alvo de forte oposição após a circulação de 8.814 ônibus no domingo eleitoral, o que representava cerca de 71% da frota total de pouco mais de 12 mil veículos da cidade. A situação levou parlamentares da bancada do PSol a protocolarem um pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes.
O documento começou a tramitar na Câmara Municipal de São Paulo com a criação de uma comissão especial formada por sete vereadores. O colegiado tem o prazo de até dez dias para analisar a admissibilidade do pedido antes de eventual encaminhamento para votação em plenário, enquanto a oposição e entidades civis cobram esclarecimentos sobre o cumprimento das normas eleitorais.
Justificativas da prefeitura e o impacto no transporte
Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (27/10), o prefeito Ricardo Nunes defendeu a atuação da gestão municipal e argumentou que a oferta de transporte público na capital superou a demanda real dos eleitores, sustentando que nenhum cidadão deixou de votar por falta de ônibus. A gestão também atribuiu a diminuição dos veículos em circulação à escassez de motoristas disponíveis para o trabalho em curto prazo.
Segundo a prefeitura, a notificação oficial determinando a circulação total da frota foi recebida em cima da hora, o que dificultou a mobilização de milhares de profissionais de última hora. No entanto, o episódio contrariou a determinação emitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter 100% dos veículos em operação, gerando debates intensos e reflexos diretos no andamento do pleito.
Repercussão nacional e desdobramentos eleitorais
A escassez de transporte coletivo em várias regiões da capital paulista foi um dos fatores que motivaram a extensão inédita do horário de votação até as 19h em todo o país. O cenário gerou reações cruzadas entre aliados e opositores de diferentes correntes políticas, culminando em ações judiciais e pedidos de investigação protocolados no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal.
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