Empresa de delator tenta negociar precatórios do Banco Master em meio a dívidas e investigações

Michael Melo/Metrópoles
A Entre Investimentos, empresa sob o controle do delator Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, buscou recentemente autorização judicial para negociar precatórios que recebeu do Banco Master. A iniciativa, revelada em um pedido sigiloso à Justiça Federal, surge em um cenário de dívidas crescentes para a companhia, que alega a necessidade urgente de quitar obrigações trabalhistas, tributárias e com fornecedores. No entanto, a tentativa foi barrada pela Justiça, que vê a movimentação com cautela e aponta para a necessidade de aprofundar investigações sobre as relações entre as empresas e possíveis manobras patrimoniais.
O caso ganha contornos de complexidade ao envolver a transferência de vultosos créditos do Banco Master para a Entre Investimentos pouco antes da liquidação da instituição financeira. Essa operação, somada à indisponibilidade dos bens da empresa de “Mineiro” desde março deste ano (2026), levanta questionamentos sobre a transparência e a legalidade das transações em meio a um processo de liquidação extrajudicial que já mobiliza o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre Investimentos busca venda de precatórios para cobrir dívidas urgentes
Em um movimento estratégico para aliviar sua situação financeira, a Entre Investimentos apresentou um pedido sigiloso à Justiça Federal, buscando permissão para vender dois direitos creditórios. A empresa argumentou que a medida é crucial para honrar compromissos financeiros que se acumulam, incluindo obrigações trabalhistas, tributárias, aluguéis e pagamentos a fornecedores e prestadores de serviços. Segundo a Entre, as dívidas vencidas já ultrapassam a marca de R$ 7 milhões, com uma projeção de que esse montante possa ascender a mais de R$ 13 milhões caso os ativos permaneçam bloqueados e indisponíveis.
A urgência do pedido reflete a pressão sobre a companhia, cujos bens estão sob indisponibilidade judicial desde março de 2026. Essa medida de bloqueio foi imposta devido à condição da Entre Investimentos como controladora indireta de outras instituições que fazem parte do Grupo Entre e que foram submetidas a um processo de liquidação extrajudicial. A situação impede a empresa de movimentar seus ativos livremente, impactando diretamente sua capacidade de cumprir com suas responsabilidades financeiras e operacionais.
Justiça Federal barra venda e aponta suspeitas de manobras patrimoniais
Apesar da alegação de urgência, o pedido da Entre Investimentos foi negado pelo juiz Maurilio Freitas Maia de Queiroz, da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo. A decisão judicial sublinha a necessidade de uma apuração mais aprofundada sobre a natureza da relação entre a Entre e o Banco Master. O magistrado expressou preocupação com a possibilidade de haver “confusão, ocultação e dilapidação patrimonial” no conglomerado de empresas envolvidas, indicando que a liberação dos ativos poderia ter efeitos de difícil reversão caso as investigações posteriores confirmassem irregularidades.
Anteriormente, a empresa já havia tentado obter a liberação parcial de seus bens junto ao Banco Central. Contudo, a autarquia reguladora também negou o pleito, sustentando que qualquer movimentação de ativos estaria condicionada ao avanço das apurações no âmbito do processo de liquidação. Essa postura reforça a cautela das autoridades diante das complexas transações financeiras e da interconexão entre as empresas do grupo, buscando proteger os interesses dos credores e a integridade do sistema financeiro.
A transferência de precatórios e a liquidação do Banco Master
O cerne da controvérsia reside na transferência de R$ 1,44 bilhão em créditos do Banco Master para a Entre Investimentos. Os contratos que formalizaram essa operação foram assinados entre 7 e 9 de outubro de 2025, um período crucial que antecedeu em pouco mais de um mês a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado (2025). Essa proximidade temporal entre a transferência dos ativos e a intervenção do Banco Central na instituição financeira levanta sérias suspeitas.
A liquidante responsável pelo Banco Master manifestou a crença de que essa operação específica pode ter sido parte de um esquema maior de “circulação e ocultação patrimonial”. O objetivo, segundo as investigações preliminares, seria beneficiar Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em detrimento dos credores e da própria instituição em liquidação. A complexidade dessas transações exige uma análise minuciosa para desvendar se houve intenção de desviar recursos ou proteger bens de forma indevida. Para entender mais sobre o funcionamento de precatórios, clique aqui.
O papel do delator “Mineiro” e outras conexões
Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, figura central neste enredo como controlador da Entre Investimentos e delator em um processo que já teve sua colaboração homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 9 de setembro de 2026. A homologação da delação indica que suas informações são consideradas relevantes para as investigações em curso, adicionando uma camada de gravidade ao caso.
Além das transações com o Banco Master, a Entre Investimentos também emergiu em outras frentes de investigação da Polícia Federal. A empresa é apontada como responsável por repasses financeiros determinados por Daniel Vorcaro para um fundo localizado nos Estados Unidos. Esse fundo, por sua vez, teria sido utilizado no financiamento de “Dark Horse”, um filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa conexão amplia o escopo das apurações, ligando o caso financeiro a questões políticas e de financiamento de produções audiovisuais, demonstrando a teia complexa de interesses e operações que as autoridades buscam desvendar.
A saga da Entre Investimentos e dos precatórios do Banco Master é um exemplo claro da complexidade que permeia o universo financeiro e jurídico, especialmente quando há suspeitas de irregularidades e a figura de um delator. O Infopebas continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste caso, trazendo análises aprofundadas e informações atualizadas para que você, leitor, esteja sempre bem informado sobre os fatos que impactam a realidade nacional. Mantenha-se conectado ao Infopebas para ter acesso a um conteúdo variado e de qualidade, com o compromisso de uma informação relevante e contextualizada.
