Paraná elege Filipe Barros e Deltan Dallagnol para o Senado após batalha jurídica no TSE

Kayo Magalhães
O estado do Paraná definiu neste domingo (4/10) a composição de sua representação na Câmara Alta para os próximos oito anos. O deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos senadores, consolidando uma vitória expressiva para a aliança política que reuniu nomes ligados ao bolsonarismo e figuras centrais da Operação Lava Jato no cenário estadual.
Trajetória e alianças no Paraná
A eleição de ambos os candidatos ocorreu dentro de uma chapa articulada que teve como peça-chave a candidatura de Sergio Moro ao governo estadual. Filipe Barros, advogado natural de Londrina, chega ao Senado após dois mandatos na Câmara dos Deputados, onde se destacou como uma das principais vozes da oposição ao governo Lula, chegando a liderar a bancada oposicionista entre abril de 2024 e fevereiro de 2025. Durante a campanha, o parlamentar reforçou sua identidade política ao se autodenominar o “01 do Bolsonaro” no Paraná.
Deltan Dallagnol, por sua vez, retorna ao Congresso Nacional após um hiato forçado. Sua trajetória recente foi marcada pela cassação de seu mandato como deputado federal em 2023, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que ele teria antecipado sua saída do Ministério Público Federal para contornar possíveis punições administrativas. A vitória nas urnas de 2026 representa, para seus apoiadores, um retorno político após um período de intensa batalha jurídica.
Imbróglio jurídico e decisões no TSE
A candidatura de Dallagnol foi marcada por uma instabilidade jurídica incomum até o dia da votação. O registro, inicialmente deferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) por uma margem apertada de 4 votos a 3, tornou-se alvo de recursos constantes no TSE. Na véspera do pleito, o ministro Floriano de Azevedo Marques chegou a indeferir o registro, determinando a anulação dos votos que seriam destinados ao ex-procurador.
A situação foi revertida na manhã deste domingo pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que suspendeu a decisão monocrática de seu colega. Com o registro mantido sob a condição de “deferido com recurso”, os votos de Dallagnol foram processados normalmente pelo sistema eleitoral. Vale lembrar que o candidato enfrentou, nas duas semanas anteriores ao pleito, uma proibição de realizar atos de campanha, como pedidos de voto e aparições no horário eleitoral, por determinação da Corte Superior.
Desdobramentos e futuro legislativo
Com a confirmação dos resultados, os novos senadores iniciam seus mandatos em fevereiro de 2027. O cenário que se desenha para o Paraná reflete a força de um grupo político que buscou unificar o apoio de lideranças como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, que atuaram ativamente na articulação da chapa. A disputa judicial em torno de Dallagnol, contudo, ainda pode gerar novos capítulos, dado o histórico de contestações sobre sua elegibilidade.
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