Cármen Lúcia critica postura do Brasil de servir a outras nações e perder protagonismo Destaque Deo Martins 13/10/20260 265 minutes read Antonio Augusto/STFSupremo Tribunal Federal (STF), fez uma declaração contundente nesta terça-feira (13), afirmando que o Brasil tem agido como se sua principal finalidade fosse servir a outras nações. A fala, proferida durante a abertura da Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, ressaltou a contradição entre a vasta riqueza natural e cultural do país e sua aparente submissão a interesses externos.Para a magistrada, essa postura não apenas diminui a soberania nacional, mas também impede que o Brasil exerça um papel mais relevante no cenário global, privando-o da chance de oferecer ao mundo exemplos valiosos de convivência pacífica e desenvolvimento autônomo. A crítica de Cármen Lúcia ecoa debates históricos sobre o posicionamento do país no contexto internacional e a valorização de seus próprios recursos e talentos.As reflexões de Cármen Lúcia sobre o papel do BrasilDurante sua participação na UFMT, a ministra não poupou palavras ao descrever o potencial inexplorado do Brasil. “Uma sociedade com a riqueza que nós temos, com chão, céu, água que nenhum povo do mundo tem, e uma inteligência exuberante e cultura impressionante, que é para ninguém no mundo não nos considerar matriz”, declarou, enfatizando a singularidade dos recursos naturais e do capital humano e cultural brasileiros.A Semana do Conhecimento da UFMT, que se estende até a próxima segunda-feira (19), é um evento que integra pesquisa, extensão e os diversos saberes produzidos e compartilhados pela comunidade universitária. O palco da conferência de abertura, com o tema “Ciência e Democracia: caminhos para a equidade”, proporcionou um ambiente propício para as reflexões da ministra sobre o futuro e a identidade do país.A magistrada reiterou que a nação tem “vivido como se fôssemos para servir outras nações, outras pessoas”, o que, em sua visão, acarreta uma perda significativa. “Com isso, nós perdemos a oportunidade inclusive de oferecer ao mundo modelos, paradigmas de convivência em paz”, completou, sugerindo que o Brasil tem um potencial inexplorado para liderar pelo exemplo em questões de harmonia social e diplomacia.Defesa da igualdade e direitos das mulheresAlém de abordar o papel do Brasil no cenário internacional, Cármen Lúcia dedicou parte de sua fala à defesa de uma sociedade mais justa e igualitária para mulheres e homens. A ministra destacou a importância de uma convivência baseada no respeito mútuo, desmistificando a ideia de que a busca por direitos femininos implica a criação de espaços exclusivos ou a segregação de gêneros.“Nós não queremos uma terra, nem uma experiência de vida apenas para as mulheres, queremos mulheres com os homens. O que não queremos é ser desvalorizadas, acantonadas, destratadas, violentadas”, afirmou, sublinhando a aspiração por uma inclusão plena e digna, onde a valorização da mulher não se dê pela exclusão do homem, mas pela superação de preconceitos e violências.Em reconhecimento à sua notável atuação na defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de oportunidades, a ministra foi a primeira personalidade a receber a Láurea Ordem Universitária do Brasão da UFMT durante a cerimônia. Essa distinção simboliza o reconhecimento da academia ao seu legado e compromisso com as causas sociais.A importância da democracia e do respeito às diferençasNo contexto do tema “Ciência e Democracia: caminhos para a equidade”, a ministra Cármen Lúcia também abordou a essência da democracia, enfatizando a necessidade fundamental de reconhecer e respeitar as opiniões divergentes. Em um momento de polarização, sua fala ressaltou que o contato com diferentes perspectivas é um motor essencial para o progresso e a evolução social.“Que sejamos capazes de conviver democraticamente, sabendo que o outro tem diferença ao que você pensa e isso é ótimo, senão você nunca muda e progride”, pontuou a ministra. Essa mensagem reforça a ideia de que a diversidade de pensamento não é um obstáculo, mas um pilar para o avanço de uma sociedade que busca a equidade e a construção de um futuro mais inclusivo e dinâmico.Para se manter atualizado sobre os debates mais relevantes do cenário nacional e internacional, acompanhe o Infopebas. Nosso portal oferece uma cobertura completa e contextualizada, com análises aprofundadas sobre política, economia, cultura e os temas que impactam diretamente a sua vida. Continue conosco e esteja sempre bem informado com conteúdo de qualidade e credibilidade.