Acusados pela morte de Ana Karina serão julgados nesta quinta, em Belém

 Acusados pela morte de Ana Karina serão julgados nesta quinta, em Belém

Alessandro Camilo teria articulado o crime para não assumir criança

Alessandro Camilo de Lima, Francisco de Assis Dias e Graziela Barros Almeida sentam no banco dos réus, em Belém, nesta quinta-feira (10), onde serão julgados pela morte da grávida Ana Karina Guimarães, de 29 anos, em Parauapebas, ocorrida 11 anos atrás.

Alessandro Camilo, pai do bebê de Ana Karina, confessou ter matado a mulher, com a ajuda de Francisco de Assis Dias e de Florentino Rodrigues, este já julgado e condenado a 25 anos de prisão em 2013. Graziela Barros de Almeida, noiva de Alessandro, é acusada de participação no crime.

O corpo da vítima nunca foi encontrado. Segundo as investigações, teria sido esquartejado, colocado em um tambor e jogado no Rio Itacaiunas.

A noiva de Alessandro também é acusada de participação

A mãe da vítima, Maria Ires Guimarães, chegou na manhã desta quarta (9) em Belém, onde acompanhará a Sessão de Júri. Para ela, a condenação dos acusados deve trazer algum conforto, embora nada seja capaz de aliviar a dor pela perda da filha. “Vou continuar nela até quando Deus me levar, assim como levou o pai da Ana Karina, que não aguentou a dor e a tristeza e o descaso de não se resolver nada”.

Ela ainda tem esperanças de encontrar o corpo da filha e também de que o neto esteja vivo. “Como mãe sinto uma grande revolta por estar há 11 anos sem saber o paradeiro da minha filha e, principalmente, do meu neto que ia nascer naquele dia e eu não tive oportunidade de acompanhar e nem ver. Não sei onde anda até hoje. Sinto que está vivo, mas não sei onde e nem com quem”, diz.

O julgamento foi desaforado da Comarca de Parauapebas a pedido da defesa de Alessandro Camilo, em 2018, alegando que na cidade não há estrutura para proteger a integridade física do réu, que o julgamento poderia comprometer a ordem pública e, ainda, que poderia influenciar na imparcialidade do Conselho de Sentença, devido à repercussão do fato.

Ana Karina foi assassinada há 11 anos em Parauapebas

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Pará, Alessandro manteve relacionamento amoroso com Ana Karina, com quem saiu algumas vezes em 2009, o que resultou em gravidez. Após ela informá-lo que estava grávida, passou a cobrar dele que a auxiliasse nos cuidados com a gravidez e no reconhecimento da criança, além dos custos do parto que estava agendado para aqueles dias.

Ela cobrava a quantia de R$ 6 mil para a realização do parto em um hospital particular e ameaçou contar sobre o caso para a noiva dele, Graziela Barros de Almeida. O MP aponta que dias antes de ser morta, Ana Karina manteve contatos telefônicos com Alessandro Camilo, cobrando solução para a situação. Ele então teria planejado a morte dela, contando com a participação de outras pessoas.

CRIME

As investigações apontam que ele marcou um encontro com Ana Karina na esquina da Rua C com Rua 4, em Parauapebas, onde já haviam se encontrado outras vezes. Por volta das 19 horas, a vítima saiu de casa, mas sem perceber foi seguida pela mãe até entrar no veículo de Alessandro Camilo, uma Toyota Hilux de cor prata. Depois disso, nunca mais foi vista.

Para o MP, Ana Karina foi levada até um espaço ermo às imediações do Detran, onde já estavam Francisco de Assis Dias, o Magrão, e Florentino de Sousa Rodrigues, o Minego. Magrão teria sido o responsável pela morte, a tiros, e Florentino o agenciador e quem auxiliou na ocultação do cadáver. O primeiro receberia R$ 5 mil em dinheiro e o segundo R$ 15 mil em carnes oriundas das fazendas de Alessandro Camilo, que era proprietário de um açougue na Rua A, também em Parauapebas.

Quando o casal chegou no local, Francisco teria sacado uma pistola e atirado quatro ou cinco vezes contra a vítima. Eles então colocaram o corpo em um tonel trazido por Alessandro na caçamba da caminhonete, acrescentaram aproximadamente 70 quilos em pedras, fizeram um furo no tambor e o levaram até uma ponte sobre o Rio Itacaiúnas, de onde o tonel foi atirado.

A promotoria denunciou a noiva de Alessandro alegando que ela tinha conhecimento do crime e que sabia detalhes acerca do modo como tudo havia ocorrido.

Luciana Marschall – Correio de Carajás

Deo Martins