“Parem de nos matar”: Parauapebas marcha por justiça e contra a violência doméstica

 “Parem de nos matar”: Parauapebas marcha por justiça e contra a violência doméstica

A cidade de Parauapebas, no Pará, ecoou um potente grito por justiça e pelo fim da violência contra a mulher neste último sábado (29). Centenas de participantes tomaram as ruas em uma emocionante caminhada, parte do 36º Encontro das Mulheres de Parauapebas, para homenagear Dayse Dyana, cuja vida foi tragicamente interrompida pela violência doméstica. O ato não apenas relembrou uma vítima, mas transformou o asfalto em um palanque de mobilização, conscientização e defesa intransigente dos direitos femininos, sob o lema contundente: “Nenhuma a Menos. Todas por Justiça”.

A Caminhada: Memória e resistência em movimento

A mobilização, que atraiu mulheres de diversas equipes, teve início na praça Presidente Kennedy, ponto estratégico em frente à Secretaria Municipal da Mulher (Semmu) e próxima ao Terminal Rodoviário. O percurso seguiu em direção ao Complexo Turístico Bel Mesquita, transformando a rota em um fluxo de solidariedade e protesto. A escolha de honrar Dayse Dyana conferiu um significado ainda mais profundo à jornada, simbolizando as inúmeras vidas ceifadas e as histórias silenciadas pela violência de gênero, ao mesmo tempo em que alertava a comunidade e as autoridades para a urgência de combater todas as formas de agressão.

O clamor coletivo: Vozes pelo fim da indiferença

O sentimento de indignação e a demanda por justiça foram palpáveis nas palavras das participantes. Adriana Carla, Secretária Municipal da Mulher, articulou o cerne do movimento: um grito coletivo que recusa o silêncio e exige equidade. “Não aceitamos mais ser silenciadas. Nós não aceitamos mais o silêncio, nós queremos a justiça e a justiça que vem com a equidade. Nós queremos que os direitos das Deyses, que os direitos das Marias sejam reconhecidos. Parem de nos matar. Esse é o nosso grito: parem de nos matar”, declarou, em um chamado incisivo por reconhecimento e proteção.

União, apoio e empoderamento: A rede de força feminina

Além do protesto, a caminhada ressaltou a importância da união e do acolhimento entre as mulheres. Amanda Cristina, da Equipe Lilás, enfatizou a necessidade de compreensão mútua e apoio, especialmente para aquelas que buscam romper com relacionamentos abusivos, destacando que “estamos juntas, unidas em um único propósito, que é o fim da violência contra a mulher”. Maria do Amparo, também da Equipe Lilás, reforçou a existência de uma rede de suporte, mencionando a Casa de Maninha, a Secretaria da Mulher e a Casa de Apoio, como pilares para que nenhuma mulher se sinta isolada. Eliane Maria, da Equipe Marrom, traduziu a mobilização como uma luta pela liberdade e pelo empoderamento, projetando a violência como um capítulo superado na história feminina de Parauapebas.

Programação abrangente: Além da manifestação nas ruas

Organizado pela Prefeitura de Parauapebas, por meio da Secretaria Municipal da Mulher (Semmu), o 36º Encontro das Mulheres se estendeu por dois dias, oferecendo uma gama diversificada de atividades focadas em conscientização, valorização feminina, esporte, cultura e integração. A caminhada de sábado, embora central, foi um dos pontos altos de uma programação que continuou no domingo (30). As atividades do segundo dia incluíram as finais de futsal no Parque dos Ipês pela manhã, seguidas por gincanas das equipes e uma envolvente apresentação teatral do Instituto Coração Valente. O encerramento do encontro ocorreu às 19h, com a cerimônia de premiação, consolidando o evento como um marco na agenda de combate à violência de gênero na região.

Um chamado perene: Nenhuma a menos

A mensagem deixada pela mobilização em Parauapebas é clara e retumbante: a vida de nenhuma mulher deve ser interrompida pela violência, e nenhuma voz deve ser silenciada. A memória de Dayse Dyana e o grito coletivo “Parem de nos matar” reverberam como um lembrete de que o combate à violência doméstica é uma luta contínua, que exige engajamento de toda a sociedade. A cidade reafirma seu compromisso inabalável com a proteção das mulheres e com a construção de um futuro onde a justiça e a dignidade prevaleçam, com a convicção de que nenhuma a menos é o único caminho a seguir.

Fonte: https://parauapebas.pa.gov.br

    Deo Martins