Itaipu recorre ao Ministério Público do Paraguai para reaver US$ 182 milhões aplicados no Ueno

 Itaipu recorre ao Ministério Público do Paraguai para reaver US$ 182 milhões aplicados no Ueno

Estadão Conteúdo

A administração paraguaia da Itaipu Binacional informou que deu início a medidas legais junto ao Ministério Público do Paraguai para conseguir reaver recursos financeiros depositados no Ueno Bank. Em um comunicado oficial divulgado em sua conta na rede social X, a hidrelétrica destacou que também monitora de perto as diretrizes e os procedimentos adotados pelo Banco Central do Paraguai, com o objetivo de esgotar todas as vias administrativas e judiciais necessárias para recuperar o montante.

De acordo com os dados divulgados pela instituição, a hidrelétrica mantinha aproximadamente US$ 182 milhões aplicados na instituição financeira. Desse total expressivo, a maior parte, cerca de US$ 163,8 milhões, estava alocada em dólares norte-americanos, enquanto o restante correspondia a 115,2 bilhões em guaranis, valor equivalente a cerca de US$ 18 milhões na moeda local. A relação operacional entre a usina e o banco teve início em janeiro de 2025.

Movimentação financeira e repasses na margem paraguaia

Os valores depositados correspondiam a uma fatia de 7,6% do montante superior a US$ 2,4 bilhões recebidos pelo Paraguai em repasses financeiros vindos do Brasil no período compreendido entre 2024 e 2026. A administração da margem paraguaia explicou que esses fundos englobam tanto valores repassados pela Administração Nacional de Eletricidade quanto transferências internas entre contas da própria binacional, voltadas para a quitação de obrigações contratuais e compromissos firmados em convênios vigentes.

Enquanto a margem paraguaia lida com o caso, a administração brasileira da Itaipu emitiu esclarecimentos públicos ressaltando que nenhum recurso financeiro sob sua responsabilidade está aplicado ou depositado no Ueno Bank. A nota reforça que a gestão financeira e a escolha de aplicações seguem rigorosamente as esferas de competência e governança de cada país que compõe a sociedade binacional.

Critérios de investimento e impacto na operação

A diretoria paraguaia defendeu que suas aplicações financeiras são direcionadas exclusivamente a instituições que possuem habilitação legal e classificação de risco elevada, nos padrões exigidos e aprovados previamente por sua Diretoria Executiva. Além disso, a empresa destacou que a gestão de suas disponibilidades gerou rendimentos financeiros superiores a US$ 450 milhões ao longo dos anos de 2024 a 2026, montante que se refere ao total administrado e não apenas aos valores alocados no banco em questão.

Apesar do imbróglio jurídico e financeiro, a hidrelétrica garantiu que a situação atual não compromete o andamento das atividades regulares da companhia. Tanto o lado paraguaio quanto o brasileiro asseguraram que a operação da usina segue dentro da normalidade, sem qualquer tipo de prejuízo para a produção e o fornecimento contínuo de energia elétrica.

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    Deo Martins