Polícia afirma que Oruam foi ao Alemão buscar dinheiro da facção de Marcinho VP

Instagram/Reprodução
A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta que o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, relatou à mãe ter ido a uma área dominada por traficantes no Complexo do Alemão. O objetivo da ida ao local seria buscar recursos financeiros da chamada caixinha atribuída a seu pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
As informações que embasam a apuração policial foram obtidas a partir de dados e mensagens extraídos do aparelho celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do artista e companheira de Marcinho VP. Tanto a mãe quanto o cantor são alvos de investigações sob a suspeita de envolvimento com organização criminosa e participação em um esquema de lavagem de dinheiro originado pelo tráfico de drogas.
Mensagens detalham repasses financeiros do Comando Vermelho
Nos diálogos identificados pelos investigadores, Oruam relata à mãe que esteve em um ponto controlado por criminosos para resgatar uma quantia em dinheiro vinculada ao esquema do pai. O relatório da corporação não detalha o montante exato negociado na ocasião, nem revela a identidade dos indivíduos encarregados de realizar a entrega dos valores.
Conforme os levantamentos da investigação, a estrutura financeira conhecida como caixinha é alimentada por capital arrecadado por lideranças da facção criminosa em comunidades sob seu domínio. Uma fatia desses recursos seria destinada diretamente a Marcinho VP e a familiares, ocorrendo por meio de repasses diretos ou com o intermédio de operadores do esquema.
Apesar de cumprir pena em regime fechado há décadas, Marcinho VP continuaria exercendo forte influência sobre a administração do dinheiro da organização. Os registros apontam decisões sobre a destinação do capital para despesas familiares, investimentos e suporte financeiro.
Lideranças apontadas na gestão do esquema
A apuração policial mapeou os nomes apontados como responsáveis pela arrecadação e pela distribuição dos valores obtidos pela facção. Entre os citados estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D.
Dentre os operadores citados, Doca permanece foragido da Justiça há mais de um período prolongado, desde a realização de uma megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha. A movimentação financeira e o trânsito de valores entre as comunidades e a família do preso são o foco central da análise dos investigadores.
Conversas revelam pedidos de recursos e conselhos familiares
Outros trechos de conversas extraídos do telefone de Márcia mostram o rapper mencionando solicitações de verbas ao pai. Em alguns momentos, Oruam reclama que pedia valores, mas nem sempre era atendido, enquanto também faz menção a uma possível mesada interpretada pelos agentes como indicativo de repasses periódicos.
Em uma das mensagens localizadas, Márcia orienta o filho a aceitar o suporte financeiro enviado por Marcinho VP, sugerindo que o jovem permitisse os investimentos paternos na carreira. Para a Polícia Civil, o teor das conversas reforça os indícios de que o líder detido mantinha fluxo de recursos financeiros inclusive para custear atividades artísticas do filho, aprofundando as suspeitas de lavagem de capitais.
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