Ministério Público quer que Renato Cariani seja condenado por tráfico e lavagem de dinheiro

Reprodução / dol.com.br
O Ministério Público do Estado de São Paulo requereu a condenação do empresário e influenciador digital Renato Cariani por tráfico de insumos químicos, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. O pedido foi formalizado nas alegações finais do processo, marcando o encerramento da fase acusatória e avançando a tramitação judicial do caso na esfera criminal brasileira.
O investigado responde ao processo em liberdade e sempre negou qualquer tipo de envolvimento com as práticas ilícitas apontadas pelas autoridades. A manifestação da promotoria consolida as teses construídas ao longo da instrução criminal, detalhando como o esquema teria operado desvios de substâncias químicas de uso controlado para abastecer rotas ligadas ao narcotráfico regional.
Esquema apontado pela promotoria
De acordo com o órgão acusador, a operação ilegal envolveu o desvio de mais de doze toneladas de produtos químicos controlados, que teriam sido empregados na fabricação e na adulteração de substâncias entorpecentes como cocaína e crack. Além de Renato Cariani, os promotores requereram também a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, que figuram como réus no mesmo procedimento judicial.
As investigações conduzidas apontaram três empresas com sede em Diadema, na Grande São Paulo, como o epicentro da estrutura corporativa utilizada no esquema. As companhias identificadas foram:
- Anidrol Produtos para Laboratórios
- Quimietest
- Anid Labor
Segundo a acusação detalhada nos autos, tais companhias funcionavam como fachadas para burlar o controle sobre o manuseio de insumos como lidocaína, fenacetina e ácido bórico, essenciais para o refino de drogas ilícitas.
Notas fiscais falsas e movimentação financeira
A apuração revelou que documentos fiscais eram sistematicamente adulterados para ocultar o destino real dos compostos químicos comercializados. Os registros forjados simulavam que empresas farmacêuticas de grande porte figuravam como as compradoras finais dos produtos, citando nomes como AstraZeneca, LBS Laborasa e Cloroquímica, instituições que negaram veementemente qualquer participação ou transação comercial com o esquema.
A movimentação financeira atrelada ao caso superou a marca de dois milhões e quatrocentos mil reais. O mecanismo contava com intermediários encarregados de realizar depósitos em espécie diretamente nas contas da Anidrol, mascarando a origem dos recursos e atribuindo os pagamentos às companhias farmacêuticas utilizadas como cobertura, configurando assim a ocultação de valores.
Defesa e próximos passos processuais
Enquanto a promotoria solicitou a absolvição de duas rés — Roseli Dorth e Andreia Domingues Ferreira — por entender que faltaram provas de participação consciente, a defesa de Renato Cariani argumenta que a empresa foi alvo de fraudes internas perpetradas por ex-colaboradores. Já os demais réus sustentam que atuavam sem conhecimento da finalidade criminosa das transações financeiras e operacionais.
A magistrada Andrea Coppola Brião, titular da 3ª Vara Criminal de Diadema, determinou prazo para que as defesas apresentem as respectivas alegações finais. O julgamento definitivo do caso ainda não possui data divulgada oficialmente pelo Poder Judiciário.
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