Ex-policial militar é condenado a 37 anos por homicídio ligado ao Escritório do Crime

 Ex-policial militar é condenado a 37 anos por homicídio ligado ao Escritório do Crime

Reprodução/Redes sociais

O ex-policial militar João Luiz da Silva, conhecido como Gago, foi condenado a uma pena superior a 37 anos de reclusão pelo assassinato de Marcelo Diotti. O julgamento, concluído nesta terça-feira (29/9), expôs mais uma vez a atuação violenta do grupo criminoso autodenominado Escritório do Crime, organização especializada em homicídios sob encomenda que, durante anos, operou no Rio de Janeiro sob a liderança de Adriano da Nóbrega, o Capitão Adriano.

Dinâmica e motivação do crime na Barra da Tijuca

O homicídio de Marcelo Diotti ocorreu em 14 de março de 2018, em uma das áreas mais movimentadas da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o crime foi meticulosamente planejado. Os executores monitoraram a rotina da vítima e de sua companheira por um período prolongado antes da ação fatal.

A vítima foi surpreendida ao sair de um restaurante na Avenida das Américas. O ataque foi caracterizado por uma execução sumária, com a maioria dos disparos atingindo a região da cabeça de Diotti, sem chances de defesa. Investigações apontaram que o assassinato foi motivado por desavenças diretas entre Diotti e o então líder do grupo, Adriano da Nóbrega, servindo também como um recado de poder contra rivais.

Decisão do Tribunal do Júri e agravantes

O Conselho de Jurados do IV Tribunal do Júri acolheu integralmente os argumentos do Ministério Público. A sentença reconheceu uma série de qualificadoras que elevaram a gravidade do crime, incluindo a motivação torpe — pautada em vingança e demonstração de força — e o uso de emboscada. Além disso, ficou comprovado que o homicídio foi cometido mediante promessa de recompensa e por um grupo de extermínio organizado.

A condenação de João Luiz da Silva soma-se a uma série de desdobramentos judiciais envolvendo o grupo. Em maio de 2024, os irmãos Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, e Leandro Gouvêa da Silva, o Tonhão, também foram sentenciados pelo mesmo tribunal por sua participação direta no planejamento e execução do crime. A atuação do MPRJ tem sido fundamental para desmantelar a estrutura operacional dessa organização criminosa.

O caso reforça a complexidade do combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, onde ex-agentes de segurança pública utilizam conhecimentos táticos e estratégicos para operar atividades ilícitas. A sentença proferida contra Gago representa um passo importante na responsabilização dos envolvidos em um dos episódios mais emblemáticos da trajetória do Escritório do Crime.

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    Deo Martins