Governo federal intensifica cerco contra bets ilegais e pede bloqueio de mais de 5 mil sites

 Governo federal intensifica cerco contra bets ilegais e pede bloqueio de mais de 5 mil sites

Agência Brasil

O cenário das apostas digitais no Brasil, popularmente conhecidas como “bets”, está passando por uma fiscalização sem precedentes. Em uma ação coordenada para moralizar o setor e combater a exploração irregular, os ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o da Fazenda intensificaram as medidas repressivas. Até esta terça-feira (29), os órgãos federais formalizaram o pedido de derrubada de 5.209 domínios na internet que operavam de forma ilegal no território nacional.

A ofensiva reflete uma preocupação crescente com a segurança financeira dos consumidores e a integridade do sistema econômico. Do total de sites identificados, 1.386 foram apontados pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), vinculada ao MJSP, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, indicou outros 3.823 endereços eletrônicos. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já deu início ao processo de cumprimento das ordens, tendo efetivado o bloqueio de 2.387 domínios até o momento.

Articulação ministerial e o papel da Anatel no bloqueio digital

A base jurídica para essa operação em larga escala é a Medida Provisória (MP) 1.394/2026. O texto legal é explícito ao proibir a exploração, oferta, intermediação e qualquer tipo de publicidade de loterias de apostas de quota fixa que não estejam devidamente regularizadas. A articulação entre os ministérios busca não apenas retirar os sites do ar, mas também criar um banco de dados consolidado que permita a responsabilização jurídica dos operadores clandestinos.

O monitoramento do ambiente digital tornou-se uma prioridade estratégica. Segundo informações do governo, o trabalho envolve o compartilhamento constante de inteligência entre diferentes órgãos públicos. O objetivo é asfixiar a infraestrutura técnica dessas plataformas, impedindo que novos domínios surjam rapidamente para substituir os que foram derrubados. Esse esforço conjunto visa garantir que apenas empresas que cumprem os requisitos de transparência e tributação operem no país.

Ofensiva nas redes sociais e plataformas de aplicativos

A repressão governamental não se limita apenas aos sites diretos de apostas. As autoridades identificaram que as redes sociais desempenham um papel fundamental na captação de novos usuários para o mercado ilegal. Como resultado, a operação conseguiu a remoção de 300 páginas no Facebook e 90 perfis no Instagram que eram utilizados para promover ou facilitar o acesso a jogos não autorizados.

O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, também voltou sua atenção para plataformas de vídeos curtos e mensagens instantâneas. No TikTok, iniciou-se uma varredura para eliminar conteúdos de divulgação irregular. Já no Telegram, o alcance das ações foi massivo, atingindo canais e grupos que somavam mais de 1 milhão de membros envolvidos com apostas ilegais. Além disso, 186 aplicativos foram notificados para serem removidos das lojas da Apple e do Google, com prazo final estabelecido para 6 de outubro.

Investigações da Polícia Federal e o combate à lavagem de dinheiro

Paralelamente às ações administrativas de bloqueio, a Polícia Federal conduz investigações criminais profundas sobre o ecossistema das apostas ilegais. O foco principal é desmantelar organizações criminosas que utilizam essas plataformas para a lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. Entre março de 2023 e agosto de 2026, a corporação realizou 12 operações de grande porte em diversos estados brasileiros e no Distrito Federal.

Os números impressionam e revelam a magnitude do problema. No período mencionado, foram cumpridos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão. O impacto financeiro nas organizações criminosas é severo: os pedidos de sequestro de bens e recursos financeiros somam aproximadamente R$ 4,17 bilhões. Operações como Narco Bet, Dark Bet e Arena são exemplos do esforço contínuo para identificar o patrimônio vinculado a atividades ilícitas e garantir que o mercado de apostas não seja utilizado como fachada para o crime organizado.

A atuação do governo brasileiro sinaliza uma postura de tolerância zero com a informalidade no setor de jogos. Para o leitor interessado em entender mais sobre a regulamentação do setor, é possível consultar os detalhes da legislação vigente no portal da Agência Brasil, que acompanha de perto os desdobramentos jurídicos e econômicos dessa transição para um mercado totalmente regulado.

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Fonte: correiodecarajas.com.br

    Deo Martins