Campanha de Flávio Bolsonaro aponta Dilma Bolada como origem de boato sobre padroeira

 Campanha de Flávio Bolsonaro aponta Dilma Bolada como origem de boato sobre padroeira

Jeferson Monteiro, criador do perfil paródia “Dilma Bolada” e a ex-presidente Dilma Rousseff

A origem da desinformação nas redes sociais

A equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou uma notícia-crime junto à Procuradoria-Geral Eleitoral, apontando o influenciador digital Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido pela criação do perfil “Dilma Bolada”, como o responsável pela disseminação inicial de uma informação falsa envolvendo o candidato. O boato, que ganhou tração nas redes sociais, sugeria que o presidenciável teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título oficial de padroeira do Brasil.

O perfil “Dilma Bolada” ganhou notoriedade nacional durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, destacando-se pelo uso de humor ácido e pela defesa pública da petista. Com uma base de seguidores que superava a marca de um milhão, a conta tornou-se um símbolo da comunicação informal e engajada do período. A relação entre o influenciador e o governo petista foi marcada por episódios públicos, incluindo uma recepção no Palácio da Alvorada em 2014 e um depoimento em uma CPI na Câmara dos Deputados no ano seguinte, onde Jeferson negou qualquer vínculo financeiro com o PT.

Estrutura de disseminação e monitoramento

O monitoramento realizado pela campanha de Flávio Bolsonaro indica que a postagem de Jeferson, realizada às 21h50 de quarta-feira (23), serviu como gatilho para uma sequência rápida de conteúdos coordenados. O texto publicado pelo influenciador afirmava categoricamente que católicos não deveriam votar em candidatos que pretendessem alterar o status da padroeira, conectando o nome de Bolsonaro a uma suposta ameaça religiosa.

A análise técnica apresentada pelos advogados do candidato sugere que a velocidade da propagação não foi orgânica. Segundo a denúncia, apenas seis minutos após a publicação inicial, outros perfis começaram a replicar a narrativa, utilizando inclusive recursos de inteligência artificial para criar ilustrações que vinculavam o candidato ao tema. A campanha destaca que perfis com inclinação governista teriam atuado de forma orquestrada para potencializar o alcance da desinformação, que atingiu milhões de visualizações em menos de 24 horas.

O contexto histórico do projeto de lei

A desinformação utilizou como pano de fundo um antigo projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que sugeria a alteração da nomenclatura de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto, contudo, foi arquivado ainda em 2008 e não possui qualquer relação com a trajetória política de Flávio Bolsonaro. A tentativa de associar o candidato a essa proposta antiga é vista pela sua defesa como uma estratégia deliberada de manipulação do eleitorado religioso.

Este episódio ilustra os desafios enfrentados no combate às notícias falsas durante o período eleitoral, onde narrativas distorcidas ganham força em plataformas digitais antes que a checagem dos fatos consiga alcançar o mesmo público. A equipe de Flávio Bolsonaro tem reforçado publicamente a negação de qualquer intenção de alterar símbolos religiosos ou títulos nacionais, buscando conter os danos causados pela repercussão do boato.

O Infopebas segue acompanhando os desdobramentos desta disputa eleitoral e as movimentações jurídicas das campanhas. Para se manter informado sobre os fatos que impactam o cenário político nacional e regional, continue acompanhando nossas atualizações diárias, pautadas pelo compromisso com a apuração rigorosa e a transparência informativa.

    Deo Martins