Foto: divulgaçāo

Dois homens foram flagrados ontem, dia 21, por uma equipe do Ibama garimpando em uma área de preservação ambiental, às proximidades da Vila Sansão, em Parauapebas, onde o órgão flagrou vários garimpos ilegais. Eles foram conduzidos e apresentados na 20 Seccional de Policia Civil, onde foram ouvidos na manhã de hoje, 22, pelo delegado Fabrycio Andrade.

Os acusados são Antônio Lisboa Gomes dos Santos, de 61 anos, e Pedro Moraes. Eles assumem que estavam no local tentando encontrar ouro e que foram tentar a vida ali por falta de trabalho e porque estão passando necessidade.

Antônio Lisboa conta que chegou ao local havia três dias e que não conseguiu tirar nenhuma grama de ouro do barranco que estava trabalhando. Segundo ele, o garimpo já tem uma cava de quatro metros de profundidade e dá uma média, quando a pessoa tem sorte, de um a três gramas de ouro por dia em cada barranco.

Em poder de Antônio, foi encontrada uma espingarda. Como ele não tem posse do armamento, foi enquadrado, além do crime ambiental, por posse ilegal de arma de fogo. O delegado arbitrou para ele uma fiança de R$ 600 para poder responder aos crimes em liberdade.

Como está passando necessidade, o acusado disse que não sabia como iria conseguir o dinheiro para recolher a fiança. Já André depois de ouvido, foi liberado. Ele conta que veio do município de São João do Araguaia para tentar conseguir emprego naquela área, onde fica o Projeto Salobo, da Vale.

Na Vila Paulo Fonteles ficou sabendo do garimpo e resolveu se aventurar para ganhar um pouco de dinheiro. “Eu chegue domingo ao garimpo e estava começando a trabalhar no barranco, quando fui flagrado pelo Ibama”, diz ele.

Segundo o fiscal do Ibama, Roberto Scarpari, eles sempre realizam operações no local com o objetivo de coibir crimes ambientais, como a mineração clandestina, que causam danos irreversíveis ao meio ambiente e à saúde humana. Ele observa que as pessoas que trabalham com mineração clandestina apresentam problemas sérios de saúde por conta da contaminação com os materiais usados, como o mercúrio.

Uma escavadeira encontrada no local deixou a equipe do Ibama preocupada, porque, segundo eles, isso demonstra que as pessoas que insistem em garimpar na área podem causar danos ainda maiores ao meio-ambiente. A máquina estava em um garimpo dentro de uma área particular. O dono da terra e do garimpo serão chamados para serem ouvidos e serão enquadrados por crime ambiental.

Além da máquina, eles apreenderam outros objetos usados para extrair ouro e outras pedras preciosas. A operação, que é Chamada de Rio Azul, também contou com apoio do Instituto do Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). Segundo Roberto, existem vários garimpos clandestinos naquela área, que já faz divisa com Marabá.

Tina Santos – Correio de Carajás, com informações de Ronaldo Modesto