Foto: reproduçāo

Está agendado para dezembro deste ano o julgamento de Alessandro Camilo De Lima, Francisco de Assis Dias e Graziela Barros Almeida, todos pronunciados em decorrência do assassinato de Ana Karina Guimarães, grávida de 9 meses assassinada no dia 10 de maio de 2010. O juiz Ramiro Almeida Gomes, titular da 2ª Vara Criminal de Parauapebas, designou que os acusados sejam julgados no dia 5, a partir das 08h30, no fórum do município.

Um dos acusados, Florentino de Sousa Rodrigues, o Minego, já foi julgado pelo crime, tendo sido condenado em fevereiro de 2013 a mais de 20 anos de prisão pela intermediação do assassinato. Em fevereiro passado, Francisco foi colocado em liberdade por determinação do mesmo magistrado, que revogou o mandado de prisão preventiva expedido contra ele.

O crime foi premeditado para que Alessandro não pagasse pensão alimentícia e encargos do filho, além de evitar que a noiva soubesse da gravidez. Foto: reproduçāo

Em outro de 2017, foi o empresário Alessandro Camilo de Lima, pai do filho que Ana Karina esperava, que recebeu da Justiça Estadual habeas corpus e ganhou a liberdade. Ele é apontado como o mentor do homicídio.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Pará, Alessandro manteve relacionamento amoroso com Ana Karina, com quem saiu algumas vezes em 2009 o que resultou em gravidez. Após ela informá-lo que estava grávida, passou a cobrar dele que a auxiliasse nos cuidados com a gravidez e no reconhecimento da criança, além de, especificamente, com os custos do parto que estava agendado para aproximadamente dez dias após ela ter sido morta.

Ela cobrava de Alessandro Camilo a quantia de R$ 6 mil para a realização do parto em um hospital particular e ameaçou contar sobre o caso para a noiva dele, Graziela Barros de Almeida, também denunciada. O MP afirma, ainda, que o relacionamento entre Alessandro e a vítima era conhecido por poucas pessoas, entre elas a mãe da vítima, Maria Ires Guimarães.

Dias antes de ser morta, Ana Karina manteve contatos telefônicos com Alessandro Camilo, cobrando solução para a situação. Ele então teria planejado a morte dela, contando com a participação de outras pessoas. As investigações apontam que ele marcou um encontro com Ana Karina na esquina da Rua C com Rua 4, em Parauapebas, onde já haviam se encontrado outras vezes.

O CRIME

Por volta das 19 horas, ela saiu de casa, mas sem perceber foi seguida pela mãe até entrar no veículo de Alessandro Camilo, uma Toyota Hilux de cor prata. Depois disso, nunca mais foi vista. Para o MP, Ana Karina foi levada até um espaço ermo às imediações do Dentran, onde estavam já estavam Francisco de Assis Dias, o Magrão, e Florentino de Sousa Rodrigues, o Minego.

Magrão teria sido o responsável pela morte, a tiros, e Florentino o agenciador e quem auxiliou na ocultação do cadáver. O primeiro receberia R$ 5 mil em dinheiro e o segundo R$ 15 mil em carnes oriundas das fazendas de Alessandro Camilo, que era proprietário de um açougue na Rua A, também em Parauapebas.

Quando o casal chegou no local, Francisco sacou uma pistola que Alessandro conseguiu com outro acusado, Pedro Lordeiro, e atirou quatro ou cinco vezes contra a vítima. Eles então colocaram o corpo em um tonel trazido por Alessandro na caçamba da caminhonete, acrescentaram aproximadamente 70 quilos em pedras, fizeram um furo no tambor e o levaram até uma ponte sobre o Rio Itacaiúnas, de onde o tonel foi atirado. O corpo de Ana Karina nunca foi localizado.

O crime foi premeditado para que Alessandro não pagasse pensão alimentícia e encargos do filho, além de evitar que a noiva soubesse da gravidez. Acontece que, segundo as investigações do MP, ela tinha conhecimento do crime.

Pelo enredo destrinchado pelo Ministério Público, a denunciada Graziela Barros tinha pleno conhecimento da ação, anuiu ao crime, bem assim sabia detalhes acerca do mododias após, sendo levada pelo denunciado Florentino Sousa até Curionópolis. Os denunciados Alessandro, Florentino e Francisco seriam os executores materiais e o primeiro, ainda, o responsável pelo planejamento. Quanto ao acusado Pedro Lordeiro, ainda que o próprio órgão ministerial no momento da deflagração da ação penal tivesse dúvidas sobre a consciência do injusto, sua ação consistira no auxílio de qualquer forma para os crimes, com a cessão da arma e, depois, da guarda do objeto (uma arma de fogo calibre 380mm, PT 938, nº KQK 43667)”, observa o magistrado, na decisão.

Durante as investigações, foram apreendidos documentos, orçamentos do hospital, aparelhos celulares, bilhetes escritos pelo denunciado Florentino Rodrigues, cápsulas e projéteis, uma arma calibre 38, um tambor e agendas. 

Reportagem: Luciana Marschall – Correio de Carajás.

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