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Para ter direito a explorar por mais 30 anos a ferrovia Carajás/Itaqui, no Maranhão, por onde escoa o minério de ferro que retira do município paraense, a mineradora Vale terá que construir, como contrapartida uma ferrovia no Estado do Mato Grosso. Parece fakenews, mas não é. Esta é a imposição que o Governo Federal está fazendo à Vale para a renovação do contrato. E pior: a decisão foi aprovada em reunião do Conselho do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) na última segunda (2).

A informação caiu como uma bomba ontem em Brasília. Tão logo tomou conhecimento do assunto, o senador Jader Barbalho (MDB-PA) foi ao Palácio do Planalto protestar junto ao ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. “Não vamos aceitar que o Governo Federal renove a concessão com a Vale sem que compense o Pará”, alertou o senador.

Durante o encontro, que teve a participação do ex-ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, o senador deixou claro que a prioridade é a compensação do Pará. “Como representante do Pará, não vou aceitar a decisão do governo federal de renovar a concessão sem que o Pará seja compensado com a construção do trecho Açailândia até Barcarena. Ai sim, o Estado estará sendo compensado, pelo menos pelas riquezas com que tem ajudado o Brasil nas exportações”, defendeu.

CONTRAPARTIDA

A Vale terá de investir cerca de R$ 4 bilhões na construção de um trecho da chamada Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) como contrapartida pela prorrogação de seu contrato. O investimento consiste na construção de 383 quilômetros de ferrovia entre Campinorte (GO) e Água Boa (MT), proporcionando uma conexão do Mato Grosso à malha da Ferrovia Norte-Sul. “A Fico é uma prioridade nacional. Em contrapartida pelas suas renovações, a Vale vai fazer a obra”, disse o secretário Especial do PPI, Adalberto Vasconcelos.

É inaceitável, inconcebível que a Vale invista como contrapartida, em nome da logística, em nome do desenvolvimento regional, em outra região que não seja no Pará. É inaceitável que se marginalize nosso Estado, que não se invista nas reais necessidades do Pará”, protestou mais cedo o senador, no Plenário do Senado. “Nós não aceitaremos esse esbulho. Já na implantação da ferrovia, nós pagamos um alto preço, assistindo o nosso minério de ferro indo embora pela via. Não vamos mais pagar esse preço pela renovação por mais 30 anos sem que fique nada pelo Pará”, concluiu.

No encontro com o ministro Eliseu Padilha, do qual participou também o diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Jorge Bastos, Jader Barbalho expos o sentimento do mundo empresarial paraense e da população de uma forma geral. “É um sentimento de revolta e de indignação. O Pará é um estado que necessita do apoio do governo federal até como forma de agradecimento pelo peso que o Estado tem na balança comercial brasileira”, revelou. Tanto o ministro quanto o presidente da EPL se comprometeram a analisar com urgência a questão da renovação da concessão da Vale. “Entendemos ser essa uma prioridade legal intrasferível e será levada ao presidente Michel Temer”, disse o ministro Padilha.

Luiza Mello/De Brasília