Pará atinge marca histórica com mais de 4,7 toneladas de drogas apreendidas no primeiro semestre de 2026

Bruno Cruz / Ag. Pará
Em um esforço contínuo e estratégico para desmantelar o tráfico de drogas e o crime organizado, o estado do Pará registrou um balanço impressionante no primeiro semestre de 2026: 4.741,033 toneladas de entorpecentes foram apreendidas. Esse resultado expressivo é um testemunho direto da eficácia da estratégia de segurança pública estadual, que combina investimentos em tecnologia de ponta e inteligência com uma integração sinérgica entre todas as forças de segurança. Os dados foram meticulosamente compilados e divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), através da sua Secretaria-Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac).
Trajetória de sucesso e impacto no crime organizado
A marca alcançada nos primeiros seis meses deste ano não é um evento isolado, mas sim a consolidação de uma estratégia bem-sucedida implementada ao longo dos últimos sete anos. Nesse período, o Pará já soma a apreensão total de 65.566,125 kg de entorpecentes, predominantemente maconha e cocaína. Este volume representa um avanço notável quando comparado ao período entre 2015 e 2018, quando o estado apreendeu cerca de 11,4 toneladas, demonstrando um crescimento substancial na capacidade de resposta e repressão ao narcotráfico.
Ed-Lin Anselmo, titular da Segup, reforça que essas apreensões são fruto de um conjunto de táticas que têm gerado prejuízos significativos às redes criminosas. “Fechamos o ano de 2023 com a maior apreensão de drogas na história do Pará, totalizando 16,85 toneladas. E neste ano, ao encerrarmos o semestre, já alcançamos mais de 4 toneladas, o que demonstra que nossas estratégias de combate à criminalidade vêm apresentando conquistas positivas”, explicou Anselmo. Ele destaca que a sinergia entre as equipes policiais e demais forças do estado é fundamental para manter os índices de criminalidade em patamares baixos, aumentar a presença policial nas ruas, agilizar a elucidação de casos e garantir uma pronta resposta à criminalidade, impactando diretamente nas finanças do crime organizado.
Investimento em tecnologia e fortalecimento da malha fluvial
A eficácia das operações paraenses é diretamente proporcional aos investimentos em tecnologia e infraestrutura. O aparato inclui equipamentos de última geração e o fortalecimento das agências de inteligência. Uma frente crucial é a implantação e aparelhamento das Bases Fluviais Integradas, acompanhada pela aquisição de lanchas rápidas – incluindo seis modelos blindados – que são indispensáveis para enfrentar o desafio do tráfico em uma das maiores e mais complexas malhas fluviais do mundo.
O secretário da Segup ressalta a abrangência da atuação: “Nossa presença se estende por todas as frentes do estado, seja nas vias terrestres, em nossa extensa malha fluvial ou através do monitoramento aéreo. Também atuamos em colaboração com órgãos federais, integrando operações de combate ao tráfico em nível nacional”. Essa abordagem multi-modal visa criar um cerco contra as rotas utilizadas pelo crime, dificultando o transporte e a distribuição de entorpecentes.![]()
Abordagem multissetorial: Terra e água no foco da fiscalização
As ações integradas se materializam em operações constantes e diversificadas. Equipes especializadas da Polícia Militar e Polícia Civil realizam fiscalizações intensivas nas rodovias paraenses, com abordagens a veículos de carga e de passageiros. O objetivo é interceptar carregamentos ilícitos escondidos em mercadorias ou identificar as chamadas ‘mulas‘ que transportam drogas em ônibus intermunicipais e interestaduais.
Paralelamente, a fiscalização na malha hidroviária tem sido significativamente intensificada. Com o apoio das Bases Fluviais Integradas, são realizadas abordagens diárias a embarcações e navios de carga. Essa presença constante nas águas do Pará visa a desestabilizar as rotas fluviais do tráfico, que são particularmente desafiadoras devido à vasta extensão e complexidade da bacia amazônica.
Estratégia de descapitalização: A ação cirúrgica da Denarc
Um componente vital na estratégia de segurança do Pará é o trabalho especializado da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc). O delegado-geral de Polícia Civil, Raimundo Benassuly, enfatiza que a missão da Denarc transcende a mera apreensão de drogas. A metodologia de investigação busca identificar e, crucialmente, descapitalizar os grupos criminosos.
Segundo Benassuly, o foco é “retirar todo o aparato financeiro dos envolvidos, de modo que eles não consigam financiar outros carregamentos de entorpecentes”. Para alcançar esse objetivo, a Polícia Civil, em estreita colaboração com o Ministério Público e o Poder Judiciário, emprega medidas assecuratórias como o sequestro de valores bancários e o perdimento de veículos e imóveis. Estes bens são comprovadamente adquiridos com o lucro do tráfico, garantindo que o impacto no crime organizado seja financeiro e estrutural, impedindo a capacidade de rearticulação das quadrilhas.
Perspectivas futuras e o compromisso com a segurança
A performance do primeiro semestre de 2026, com mais de 4,7 toneladas de drogas retiradas de circulação, solidifica o compromisso e a eficácia das forças de segurança do Pará na desarticulação de redes criminosas. Esses resultados não apenas representam um golpe financeiro significativo para o crime organizado, mas também contribuem diretamente para a segurança e a qualidade de vida de toda a população paraense.
O governo do Pará mantém a visão de longo prazo, investindo continuamente na capacitação de suas equipes, na aquisição de recursos modernos e na otimização da inteligência. A manutenção de um trabalho integrado e aprofundado, com foco na descapitalização dos criminosos, é a chave para sustentar o avanço no combate ao tráfico e garantir um estado mais seguro e justo para todos.
