Marabá Celebra 30 Anos do Festival da Amizade, Um Pilar da Cultura Popular Paraense

Karla destaca que manter viva a cultura tradicional é uma missão diária/Foto: Evangelista Rocha
Marabá, no Pará, abriu suas portas nesta sexta-feira (10) para a marcante 30ª edição do Festival da Amizade, carinhosamente conhecido como Fest Amizade. Consolidado como um dos mais relevantes encontros de cultura popular tradicional do estado, o evento deste ano é sediado e organizado pelo Grupo de Tradição Popular Mayrabá, anfitrião desta jubilar celebração. A extensa programação, que se estende até domingo (12), promete reunir grupos folclóricos de diversas regiões paraenses, em uma imersão cultural que abrange cortejos vibrantes, apresentações artísticas, oficinas educativas e seminários aprofundados, todos dedicados à valorização das ricas tradições amazônicas.
Mais do que um espetáculo, o Fest Amizade se estabelece como um espaço vital para a preservação e difusão do patrimônio cultural, atraindo tanto o público local quanto visitantes, ansiosos por vivenciar a autenticidade e a diversidade das manifestações culturais do Pará.
Gênese e a Missão de Uma Tradição Trintenária
A história do Festival da Amizade remonta a 1995, ano em que foi idealizado por Gilson Sobreiro, fundador do próprio Grupo Mayrabá. O nome 'Mayrabá', de origem tupi, evoca as raízes históricas do surgimento do município de Marabá, conferindo um profundo sentido de pertencimento ao grupo. Em entrevista, Karla Barbosa Santis, vice-coordenadora do Mayrabá, revelou que a visão inicial de Sobreiro, então seminarista, era criar um ponto de encontro para fortalecer os grupos tradicionais e assegurar a longevidade das expressões culturais paraenses. Ele acreditava firmemente que promover um fórum para a troca de experiências e conhecimentos seria crucial para manter vivas essas manifestações.
Gilson Sobreiro não apenas fundou o Mayrabá, mas também desempenhou um papel fundamental na formação de outras agremiações culturais na região. O festival, que começou como um simples intercâmbio, floresceu ao longo de três décadas, transformando-se em um coletivo organizador que hoje congrega oito importantes grupos culturais, solidificando sua estrutura e alcance.
Um Mosaico de Ritmos e Saberes do Pará
Esta edição jubilar do Fest Amizade congrega uma impressionante diversidade de talentos e tradições. Além do anfitrião Mayrabá (Marabá), participam grupos de distintas localidades, como Amazônia (Ananindeua), Paranativo (Belém), Nuaruaques (Ponta de Pedras), Assurinis (Portel), Acauã (Cachoeira do Arari), Tuiá Poranga (Irituia) e Raízes Parauara (Parauapebas). Complementando essa constelação, o evento acolhe convidados especiais: o Grupo Flor do Carimbó, de Canaã dos Carajás, e a Companhia de Dança Kanauã, também de Marabá, enriquecendo ainda mais o leque de apresentações.
A programação, totalmente gratuita e aberta ao público, teve seu pontapé inicial às 18 horas, com um vibrante cortejo cultural que partiu do Museu Municipal em direção à Praça São Félix de Valois, palco principal das exibições. Durante todo o fim de semana, a praça se transformará em um epicentro de manifestações como carimbó, siriá, banguê, e samba do cacete, entre outras expressões autênticas da cultura paraense. Karla Barbosa Santis antecipa um espetáculo de “ancestralidade, carimbó e muita dança”, expressando a convicção de que o público ficará “deslumbrado com tantas apresentações e com a diversidade” da cultura local, um reflexo do empenho diário de manter essa herança viva, uma missão que ela própria abraça há 31 anos.
Legado e Salvaguarda da Cultura Amazônica
O impacto do Festival da Amizade transcende o mero entretenimento, firmando-se como um pilar fundamental para a salvaguarda e reconhecimento da cultura popular paraense. Daniel Leão, produtor cultural e representante do Grupo Amazônia, de Ananindeua, enfatiza o vasto alcance e a consolidação do festival ao longo de sua trajetória. Ele destaca que o evento alcançou o status de patrimônio imaterial do estado, um reconhecimento substancial obtido inclusive com a aprovação da Câmara Municipal de Marabá, o que sublinha sua importância institucional.
Daniel, que também integra o Comitê Estadual de Salvaguarda do Carimbó, ressalta que o encontro vai muito além das performances artísticas. O festival se configura como um espaço estratégico para celebrar, compartilhar e promover ações concretas de salvaguarda não apenas do carimbó, mas de outras manifestações culturais. A programação inclui oficinas e um seminário temático dedicado a discutir questões vitais relativas aos mestres e mestras da cultura tradicional e à preservação de seus saberes, fomentando um intercâmbio de conhecimentos essenciais entre as diversas comunidades e fortalecendo a identidade cultural da população.
Uma Celebração de Identidade e Amizade
Completando três décadas de existência, o 30º Festival da Amizade transcende a ideia de um simples encontro; ele se estabelece como uma efusiva celebração de ritmos, de ancestralidade e, acima de tudo, de amizade. O evento reafirma anualmente sua inestimável importância como um dos principais palcos para a difusão da vibrante cultura paraense, cumprindo a missão de incentivar as novas gerações a conhecerem e valorizarem suas raízes.
Ao reunir e projetar as distintas culturas que ecoam pelos cantos do Pará, o festival não só fortalece a identidade cultural da população, mas também promove uma grande celebração da identidade amazônica, garantindo que o legado de seus fundadores e de todos os envolvidos continue a inspirar e a encantar por muitas décadas vindouras.
