Incêndio na UFPE devasta 20 anos de pesquisa e mobiliza investigação federal

Delegado regional executivo da Polícia Federal, Rodrigo Bastos, fala sobre investigação após incêndio na UFPE — Foto: Reprodução/TV Globo
Um incêndio de grandes proporções atingiu um centro de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na noite da última quarta-feira, dia 7, e só foi controlado na madrugada seguinte. O incidente causou a destruição de um patrimônio científico inestimável, com a perda estimada de 20 anos de estudos e um prejuízo financeiro de cerca de R$ 100 milhões. A reitoria da instituição confirmou que aproximadamente 200 dissertações e teses de pós-graduação foram severamente prejudicadas, impactando diretamente pesquisas cruciais sobre temas como câncer, Covid-19, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
A gravidade do ocorrido mobilizou a atenção do governo federal. Na quinta-feira, dia 8, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, visitou o local para acompanhar a vistoria técnica e anunciou medidas emergenciais e de longo prazo para mitigar os danos e apoiar a comunidade acadêmica.
O cenário de destruição e a perda científica
O edifício de dois pavimentos, que abrigava centros de pesquisa nas áreas de informática, saúde, educação física, biologia e biomedicina, incluindo o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica, foi completamente consumido pelas chamas. A perda material inclui não apenas documentos e dados, mas também equipamentos de alta tecnologia essenciais para o avanço das investigações científicas.
A professora e doutora em Educação Física, Melissa Leandro Celestino, servidora e pesquisadora da UFPE, expressou a dimensão da tragédia. Sua equipe, por exemplo, desenvolvia estudos em performance humana, comportamento motor, biomecânica, esportes, saúde, atividade física, TDAH e autismo. “São muitos equipamentos, muitos projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Então a gente tinha ali câmeras de análise tridimensional, de movimento corporal, mais voltada para a performance humana, comportamento motor e biomecânica, além de esporte, saúde, atividade física, TDAH, autismo e se perdeu tudo”, lamentou Melissa, ressaltando o impacto devastador na continuidade dos trabalhos.
O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, confirmou que todos os materiais de pesquisa no local foram consumidos, mas garantiu que não há risco de contaminação. A principal preocupação da gestão universitária é evitar a paralisação das pesquisas em andamento, que representam anos de dedicação e investimento intelectual.
Resposta governamental e apoio à comunidade acadêmica
Diante da catástrofe, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou um plano de recuperação abrangente. A construção de um novo centro de pesquisas está prevista, com um investimento de R$ 28 milhões. Além disso, recursos serão destinados para a readquisição dos equipamentos perdidos, visando reestruturar os laboratórios e permitir a retomada das atividades.
Para os pesquisadores diretamente afetados, medidas de apoio foram estabelecidas. As bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado serão prorrogadas, garantindo a sustentabilidade financeira dos estudantes e professores. Uma iniciativa notável é a abertura de um chamamento especial para o Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE). “Para aqueles pesquisadores, doutorandos que estão já em fase final de sua tese, nós abrimos um chamamento especial para o programa que a gente chama de PDSE, que é o Programa de Doutorado de Sanduíche no Exterior, todos esses pesquisadores e estudantes de doutorado poderão fazer parte de seus estudos no exterior, em laboratórios na Alemanha, nos Estados Unidos, na França, em países que já se comprometeram a apoiar a Universidade Federal de Pernambuco”, detalhou o ministro.
Essa medida se estende a estudantes de mestrado e professores em pós-doutorado, oferecendo uma oportunidade vital para a conclusão de seus trabalhos em instituições parceiras. A universidade também disponibilizará serviços de psicologia e outras áreas para apoiar emocionalmente os estudantes e professores impactados.
A investigação da Polícia Federal e o alerta de segurança
O incêndio na UFPE não é um evento isolado. Este é o terceiro incidente registrado na universidade em apenas uma semana, o que levanta sérias preocupações sobre a segurança e a possibilidade de ações criminosas. A Polícia Federal (PF) já iniciou uma investigação para apurar as causas do fogo, com o delegado regional executivo da PF, Rodrigo Bastos, confirmando que peritos especializados do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, reforçarão a equipe em Pernambuco.
A natureza recorrente dos incêndios adiciona uma camada de complexidade e urgência à investigação, que busca determinar se os incidentes são acidentais ou resultado de atos intencionais. A comunidade acadêmica e a sociedade aguardam respostas sobre a origem desses eventos, que comprometem a segurança do campus e a integridade do trabalho científico.
Repercussões e o futuro da pesquisa na UFPE
A destruição de um centro de pesquisa tão vital na UFPE representa uma perda significativa não apenas para a instituição, mas para o avanço da ciência brasileira. A interrupção de estudos de longo prazo, a perda de dados e amostras, e o impacto psicológico nos pesquisadores são desafios que exigirão resiliência e um esforço coordenado para serem superados. A resposta rápida do Ministério da Educação e a mobilização da Polícia Federal demonstram o reconhecimento da importância da UFPE e da pesquisa que ali é desenvolvida.
A reconstrução física e a recuperação dos projetos científicos serão um processo árduo, mas a solidariedade e o apoio institucional e internacional são fundamentais para que a universidade possa se reerguer e continuar sua missão de gerar conhecimento e inovação para o país. O incidente serve como um alerta sobre a necessidade de reforçar a segurança e a proteção do patrimônio científico nacional.
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Fonte: correiodecarajas.com.br

