Eventos climáticos extremos: psicólogo alerta para impactos crescentes na saúde mental

 Eventos climáticos extremos: psicólogo alerta para impactos crescentes na saúde mental

ARTE/DOL

A nova temporada da coluna Dr. Responde, parte integrante do podcast Dolcast, do portal Dol, mergulha em um tema de crescente relevância global: “clima e saúde: como as mudanças no clima estão transformando a forma de cuidar da saúde”. Em seu quinto episódio, a série aborda uma das facetas mais sensíveis e muitas vezes negligenciadas dessa discussão: “eventos climáticos extremos e os impactos na saúde mental”.

Para desvendar as complexas relações entre as alterações ambientais e o bem-estar psicológico da população, a jornalista Lana Oliveira recebeu o psicólogo Renan Oliveira, da Beneficente Portuguesa. O especialista trouxe à tona as consequências diretas e indiretas dos desastres climáticos na saúde mental, oferecendo uma perspectiva crucial sobre como a crise ambiental se manifesta no cotidiano e na psique das pessoas.

A escalada dos eventos climáticos e seus reflexos

O cenário global tem sido marcado por uma intensificação de fenômenos como enchentes devastadoras, secas prolongadas, ondas de calor extremas e tempestades severas. Esses eventos, antes considerados anomalias, tornam-se cada vez mais frequentes e intensos, gerando não apenas perdas materiais, mas também um profundo impacto humano. A destruição de lares, a perda de entes queridos, o deslocamento forçado e a interrupção da rotina são apenas algumas das experiências traumáticas que podem desencadear uma série de problemas de saúde mental.

O psicólogo Renan Oliveira enfatiza que as consequências vão além do trauma imediato. A incerteza sobre o futuro, a perda de meios de subsistência e a desestruturação comunitária contribuem para um ambiente de estresse crônico. Crianças e idosos, por exemplo, são particularmente vulneráveis, podendo desenvolver transtornos de ansiedade, depressão e até mesmo transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em decorrência dessas vivências.

O vínculo entre desastres e o bem-estar psicológico

A relação entre desastres naturais e saúde mental é multifacetada. Em um primeiro momento, a exposição direta à violência de um evento extremo pode causar choque e medo intensos. No período pós-desastre, a fase de recuperação é frequentemente marcada por luto, desespero e sentimentos de impotência. A perda da sensação de segurança e a quebra da rotina podem desestabilizar indivíduos e comunidades inteiras, levando a um aumento na incidência de problemas como insônia, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Além disso, o estresse ambiental crônico, como a convivência com a ameaça constante de novos eventos ou a degradação gradual do ambiente, pode gerar a chamada “eco-ansiedade” ou “ansiedade climática”. Esse é um fenômeno crescente, especialmente entre jovens, que se preocupam profundamente com o futuro do planeta e as implicações para as próximas gerações. O Dr. Renan Oliveira destaca a importância de reconhecer esses sentimentos e buscar apoio profissional para lidar com eles, evitando que se transformem em condições mais graves.

Desafios e respostas para a saúde mental pós-crise

A resposta a esses desafios exige uma abordagem integrada que combine ações de saúde pública, assistência social e políticas ambientais. É fundamental que as comunidades afetadas recebam suporte psicológico adequado e acessível, tanto no curto quanto no longo prazo. Isso inclui a oferta de serviços de aconselhamento, grupos de apoio e programas de resiliência comunitária que ajudem as pessoas a reconstruir suas vidas e a fortalecer seus mecanismos de enfrentamento.

A Beneficente Portuguesa, instituição à qual o psicólogo Renan Oliveira é vinculado, tem um papel importante na discussão e na oferta de serviços de saúde. A conscientização sobre os impactos na saúde mental é o primeiro passo para desenvolver estratégias eficazes de prevenção e intervenção. Investir em educação ambiental e em sistemas de alerta precoce também pode mitigar o sofrimento, preparando as populações para reagir de forma mais informada e segura diante das adversidades climáticas.

Para aprofundar a compreensão sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) oferece diversos estudos e publicações que abordam o tema de forma abrangente. Acesse aqui para mais informações.

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    Deo Martins