Candidatos a deputado no Pará encerram pleito com votações abaixo de 100 votos

 Candidatos a deputado no Pará encerram pleito com votações abaixo de 100 votos

Tânia Rêgo

O recente processo eleitoral no Pará, que definiu os novos ocupantes das cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, trouxe à tona um cenário peculiar nas urnas: dezenas de postulantes encerraram a disputa com votações nominais inferiores a 100 votos. Em um sistema onde a estratégia partidária muitas vezes se sobrepõe ao desempenho individual, o resultado revela as complexidades da representação proporcional brasileira.

O impacto do sistema proporcional na contagem de votos

A disparidade entre o número de votos recebidos e a classificação final dos candidatos ocorre devido às regras do sistema proporcional, utilizado para cargos legislativos. Diferente do sistema majoritário, onde vence quem obtém a maioria absoluta ou relativa, no proporcional, as vagas são distribuídas conforme o desempenho da legenda ou federação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que o sucesso de um candidato depende, primordialmente, do quociente eleitoral alcançado pelo seu partido.

Essa dinâmica explica por que, mesmo com votações extremamente baixas, alguns nomes aparecem na lista como suplentes. Se a legenda atinge o número de votos necessários para ocupar uma cadeira, os candidatos mais votados dentro daquela sigla assumem as vagas, enquanto os demais, mesmo com poucos votos, podem figurar na lista de suplência. Por outro lado, aqueles classificados como “não eleitos” pertencem a agremiações que não alcançaram o desempenho mínimo para garantir representação no parlamento.

Desempenho nas urnas e a realidade dos candidatos

Na corrida para a Assembleia Legislativa do Pará, o levantamento aponta que 59 candidatos não atingiram a marca de 100 votos. Entre os casos mais extremos, houve registros de votações de um único dígito e até mesmo um candidato que finalizou a apuração com zero voto nominal: Luiz Damião (DC). No topo desse grupo, nomes como Igor Gaia (PDT) somaram 99 votos, seguidos por Joel do Açaí (PODE) e Sergio Guimaraes (AVANTE), ambos com 97 votos.

Para a Câmara dos Deputados, a realidade foi semelhante, com 17 candidatos registrando menos de 100 votos. Fabiane Pinheiro (NOVO) liderou esse recorte com 99 votos, enquanto os menores índices foram registrados por Drª Valgeane Moreno (DC), com sete votos, e Trindade Araujo (DC), com cinco votos.

A importância do voto de legenda

É fundamental compreender que o voto nominal não é a única métrica de sucesso. O eleitor brasileiro possui a opção de votar apenas na legenda, o que contribui diretamente para o cálculo do quociente partidário. Esses votos de legenda são essenciais para que partidos menores ou coligações alcancem o patamar necessário para eleger seus representantes. A totalização desses números, processada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, reflete o esforço coletivo das siglas em garantir espaço no legislativo, independentemente da performance individual de cada filiado.

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    Deo Martins