Corte da corda do Círio de Nazaré pela Guarda marca procissão na Avenida Presidente Vargas

Reprodução / oliberal.com
Um incidente chamou a atenção durante a tradicional procissão do Círio de Nazaré, realizada neste domingo (11) em Belém. Um membro da Guarda de Nazaré foi flagrado realizando o corte da corda que conduz a berlinda com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. O episódio ocorreu no início da Avenida Presidente Vargas, enquanto a procissão cumpria seu percurso de 1,3 quilômetro, gerando repercussão entre os fiéis e observadores.
As imagens, transmitidas ao vivo pela TV Liberal, mostraram o momento exato em que o integrante da Guarda, portando um objeto cortante, seccionava a corda próximo a uma das estações metálicas que auxiliam na condução. O fato levanta questionamentos sobre a organização e a segurança de um dos maiores eventos religiosos do mundo, que anualmente reúne milhões de pessoas em demonstração de fé e devoção.
O incidente e a dinâmica da procissão
A procissão do Círio de Nazaré é um evento de grande complexidade logística e emocional. A corda, elemento central da manifestação, é um elo físico entre a berlinda e os milhares de promesseiros que se agarram a ela, impulsionando o andor da Virgem. No momento do corte, a Estação 2 já se encontrava na cabeça da corda, por volta das 9h30, indicando um avanço significativo no trajeto.
Este não foi o único incidente envolvendo a corda. Na Trasladação, que antecede o Círio, um corte ou rompimento do material também foi registrado na Avenida Nazaré. Até o momento, a Diretoria da Festa de Nazaré não se pronunciou oficialmente sobre os ocorridos, o que mantém a expectativa por esclarecimentos sobre as circunstâncias e as medidas a serem tomadas para evitar futuras interrupções ou riscos à segurança dos participantes.
A relevância da corda no Círio de Nazaré
A corda do Círio é mais do que um simples cabo; ela é um símbolo de fé, sacrifício e união para os promesseiros. Milhares de pessoas se revezam para segurá-la, cumprindo promessas e expressando sua devoção. Sua integridade é fundamental para a segurança e a fluidez da procissão, que se estende por horas sob forte calor e grande aglomeração. A interrupção ou o corte da corda, portanto, não é apenas um problema logístico, mas um evento que toca profundamente a experiência religiosa dos fiéis.
A tradição da corda remonta ao século XIX, quando um carro de bois atolou e os fiéis usaram cordas para puxar a berlinda. Desde então, ela se tornou um dos elementos mais icônicos e emocionantes da procissão, representando a força coletiva da fé. Entender a dinâmica e o simbolismo da corda é crucial para compreender a magnitude de qualquer incidente que a envolva durante o Círio. Para mais informações sobre a história e a importância do evento, você pode visitar o site oficial do Círio de Nazaré.
Produção local: inovação e impacto econômico
A corda utilizada no Círio de Nazaré de 2026 foi produzida pelo quarto ano consecutivo no Pará, marcando uma importante mudança na cadeia produtiva do evento. A Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) é a responsável pela doação e fabricação, que teve início localmente em 2023. Antes disso, a produção era realizada em Santa Catarina, utilizando sisal como matéria-prima.
A transição para a fibra de malva, cultivada em mais de 20 municípios paraenses, representa um significativo avanço para a economia local e para a agricultura familiar. Mais de mil famílias estão envolvidas no cultivo dessa fibra, que passa por diversas etapas até se transformar no produto final. A CTC processa mais de mil toneladas de fibras de malva, demonstrando a escala e o impacto desse projeto.
A corda possui 800 metros de comprimento, divididos em dois trechos de 400 metros para o Círio e a Trasladação, e um diâmetro de 60 milímetros. Sua confecção é adaptada às estações metálicas que conduzem as berlindas. O processo de desenvolvimento da corda de 2026 durou sete meses, com três meses dedicados ao planejamento e quatro à produção industrial, envolvendo mais de 480 colaboradores. Além de ser mais resistente, a fibra de malva é mais macia ao toque, proporcionando maior conforto aos promesseiros.
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