Proposta da AZ Quest aponta caminho para o Brasil cortar bilhões em gastos com juros

Fabio Rizzato / InfoMoney
O equilíbrio das contas públicas e os juros elevados continuam no centro das atenções dos agentes econômicos, que aguardam medidas concretas de gestão fiscal para reduzir a pressão sobre o orçamento do país. Segundo o fundador e CEO da AZ Quest, Walter Maciel, a recuperação da credibilidade governamental é o único caminho sustentável para aliviar o custo da dívida nacional.
A análise foi detalhada no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, no qual o executivo analisou o cenário macroeconômico nacional, os desafios das empresas frente ao custo do capital e os rumos das contas públicas.
Impacto direto da credibilidade nas contas públicas
De acordo com Maciel, o montante gasto com juros é a consequência direta do desequilíbrio nas contas do governo, e não a causa primária da pressão orçamentária. Na visão do gestor, a melhora na percepção de risco abriria espaço para uma queda expressiva nas taxas de juros, gerando alívio fiscal sem a necessidade de intervenções artificiais na economia.
O executivo destacou que, com a confiança restabelecida, o patamar da taxa básica de juros poderia ser significativamente menor do que o praticado atualmente. Essa diferença representaria uma economia bilionária anual para o orçamento do país, resolvendo de forma estrutural grande parte do problema fiscal brasileiro.
Desafios da renda variável e aversão ao risco
Ao avaliar o ambiente para investimentos, o CEO da AZ Quest ressaltou que o patamar mais alto da taxa básica penaliza mais as empresas de médio e pequeno porte, dificultando a rolagem de dívidas e a geração de caixa no cenário atual.
Por outro lado, a escassez de recursos públicos abre espaço para o financiamento privado em setores estratégicos, favorecendo papéis de crédito privado de alta qualidade em detrimento de estratégias tradicionais de renda variável.
Perspectivas para a indústria de gestão de recursos
A perspectiva para a indústria de gestão, porém, é de um ambiente prolongado de aversão ao risco por parte dos investidores institucionais e individuais. Na leitura de Maciel, o momento desafiador deve afetar diretamente as casas de menor porte, embora isso não signifique necessariamente uma onda imediata de fusões e aquisições entre gestoras.
O especialista pontua que o mercado de capitais exige resiliência e foco em ativos alternativos e de longo prazo para viabilizar operações de consolidação relevantes no setor financeiro.
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