Ministro da Fazenda Busca Consenso em Meio a Desafios Fiscais e Juros Elevados da Dívida

Agência O Globo
Em um período de intensas discussões sobre a trajetória da dívida pública e a saúde das contas nacionais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem se empenhado em construir um diálogo amplo com importantes figuras do cenário econômico brasileiro. A iniciativa visa angariar diferentes perspectivas sobre a gestão econômica no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um movimento estratégico em face das crescentes críticas e incertezas fiscais que marcam o atual momento do país.
Articulando com Lideranças Econômicas do Passado
Como parte de sua busca por diversas análises, Durigan procurou agendar encontros com dois expoentes da política econômica da gestão Fernando Henrique Cardoso: o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. O propósito é ouvir as visões desses economistas, cujas carreiras são marcadas pela defesa da disciplina fiscal, controle inflacionário e pela implementação do Plano Real, sobre os atuais rumos da economia.
Embora os encontros estivessem previstos para agosto, no Rio de Janeiro, interlocutores do ministro indicam que as reuniões ainda não foram concretizadas, havendo uma certa resistência por parte de Malan e Fraga. Essa estratégia de Durigan, contudo, não se restringe a esses nomes; o ministro já iniciou uma série de conversas, como o encontro com Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005, durante o primeiro governo Lula. Durigan justifica que sua postura é a de manter um canal aberto com especialistas de diferentes correntes, incluindo aqueles alinhados à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores, para promover um debate multifacetado.
O Inaceitável Custo da Dívida Pública Brasileira
Além de buscar conselhos externos, o ministro Durigan tem vocalizado sua profunda preocupação com o elevado custo da dívida pública. Em um evento do setor de saúde, ele classificou como "inaceitáveis" as taxas de juros de longo prazo que o Tesouro Nacional é compelido a pagar para refinanciar seus títulos, mesmo sendo a instituição com maior credibilidade para honrar compromissos no país.
Essa escalada dos custos efetivos da dívida governamental, que alcançou patamares inéditos na última década, é um reflexo da conjunção de fatores como a elevação da taxa básica de juros (Selic), os prêmios adicionais exigidos pelos investidores devido às incertezas fiscais e externas, e a criação de diversos programas de crédito pelo governo. A "taxa de juros implícita", medida pelo Banco Central para capturar o custo total do endividamento bruto do governo, atingiu 13,2% no acumulado de 12 meses, marcando o maior patamar desde novembro de 2016. Esse indicador reflete a complexa composição da dívida, que inclui títulos atrelados à Selic, prefixados, indexados à inflação e cambiais.
Durigan enfatizou a necessidade de vigilância constante, afirmando que o trabalho para a estabilização das contas não está finalizado e que há uma "grande milha final" a ser percorrida para assegurar uma trajetória fiscal sustentável. Ele destacou a importância de o governo avançar de forma ponderada, sem buscar "balas de prata", a fim de estabilizar essa situação que impacta negativamente empresas, agronegócio, famílias e o próprio Tesouro Nacional, com a expectativa de que soluções duradouras sejam implementadas na próxima gestão.
Avanço na Agenda Legislativa: A "Taxa das Blusinhas"
Em outro front de atuação, o ministro abordou as prioridades legislativas do governo. Ele informou que a gestão federal concentrará esforços para aprovar, durante o próximo "esforço concentrado" do Congresso Nacional, a medida provisória que revoga a cobrança de 20% sobre compras internacionais, popularmente conhecida como a "taxa das blusinhas". O presidente Lula já havia tratado do tema, e a mobilização da base governista no Congresso será fundamental para a rápida constituição da comissão mista e a votação do texto.
Este período de "esforço concentrado", caracterizado por votações intensivas em meio à corrida eleitoral, está agendado para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro e ocorrerá presencialmente. A aprovação da MP é vista como um dos objetivos imediatos do Ministério da Fazenda, evidenciando a pluralidade de responsabilidades e desafios enfrentados pela pasta.
Caminhos para a Estabilidade Econômica
A postura multifacetada do Ministro Dario Durigan – que inclui a busca por conselhos de experientes economistas, a firmeza ao abordar os custos da dívida e a condução de agendas legislativas estratégicas – reflete um esforço concentrado em direção à estabilidade econômica. Ao engajar vozes diversas e apontar para os gargalos fiscais, a Fazenda sinaliza um compromisso em buscar soluções amplas e duradouras. A capacidade de harmonizar esses múltiplos frentes de trabalho será crucial para moldar a percepção e a realidade da trajetória econômica brasileira, buscando um equilíbrio que promova a disciplina fiscal, o crescimento sustentável e o bem-estar social.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
