Megahack na Liquid Network: US$ 320 Milhões em Bitcoin Roubados e Parcialmente Recuperados

 Megahack na Liquid Network: US$ 320 Milhões em Bitcoin Roubados e Parcialmente Recuperados

Bloomberg

A Liquid Network, uma blockchain essencial utilizada por diversas exchanges de criptomoedas para agilizar a movimentação de Bitcoin, foi alvo de um sofisticado ataque cibernético que resultou no roubo de aproximadamente US$ 320 milhões em ativos digitais. Este incidente, que abalou a confiança na segurança do setor, viu a retirada de cerca de 4 mil dos 4,2 mil Bitcoins (BTC) mantidos em uma carteira da plataforma. Contudo, em um desdobramento incomum, a maior parte dos fundos foi posteriormente recuperada, levantando questões sobre a natureza e as motivações dos perpetradores.

A Invasão e a Resposta Imediata da Rede

O ataque à Liquid Network, operada por uma federação de mais de 80 exchanges e empresas de infraestrutura, culminou na subtração massiva de Bitcoins de suas reservas. A operadora da plataforma prontamente informou sobre a invasão em uma publicação no X, anunciando a interrupção de todas as novas transações e pedindo desculpas pelos inconvenientes. A equipe de gerenciamento, composta pelos membros da federação, iniciou imediatamente os esforços para resolver a falha e restaurar a atividade normal da rede.

Inicialmente, a empresa sugeriu que os responsáveis poderiam ser "hackers white hat", um termo usado para especialistas em segurança que exploram vulnerabilidades para alertar e, frequentemente, devolvem os fundos após a correção, por vezes em troca de uma recompensa. Essa suposição se mostraria parcialmente verdadeira nos desdobramentos subsequentes, diferenciando este evento de muitos outros ataques maliciosos.

A Recuperação Inesperada e a Negociação

Em um desenvolvimento notável, os hackers devolveram uma parcela significativa dos ativos roubados. Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital Inc., confirmou que 3.400 Bitcoins foram transferidos de volta para o endereço original da Liquid Federation. Embora a maioria dos fundos tenha sido recuperada, os invasores parecem ter retido aproximadamente 598.5 BTC, o que equivale a cerca de US$ 47 milhões na cotação da época, como uma espécie de "taxa" pelo seu trabalho.

As negociações com os hackers ocorreram de forma peculiar, com mensagens sendo trocadas entre eles e a Blockstream (empresa cofundadora da Liquid Network) incorporadas em pequenas transações de Bitcoin, segundo dados do rastreador de blockchain Mempool. Os invasores declararam que só devolveriam os fundos após a confirmação de que a vulnerabilidade explorada havia sido corrigida, demonstrando um modus operandi atípico para roubos de criptomoedas.

Um Alerta para a Segurança Cibernética no Setor Cripto

Este ataque à Liquid Network não é um incidente isolado, mas o mais recente em uma série de invasões que têm acendido os holofotes sobre a segurança cibernética no ecossistema de criptomoedas. Recentemente, outros episódios, como o roubo de US$ 6 milhões de uma plataforma de empréstimos ligada à Crypto.com e questionamentos sobre a segurança da carteira offline Coldcard, têm abalado a confiança e levantado preocupações sobre a integridade da infraestrutura digital.

Ziqing Ang, chefe de política para a Ásia-Pacífico da TRM Labs, ressaltou que, embora esses eventos possam compreensivelmente minar a confiança dos consumidores, eles também servem para destacar a urgência de fortalecer as salvaguardas da infraestrutura crítica. A especialista enfatizou a necessidade de uma segurança abrangente em toda a infraestrutura para os operadores, uma visão compartilhada por Aneirin Flynn, CEO da FailSafe, que apontou esses ataques como expositores das fragilidades inerentes à infraestrutura de criptomoedas neste ano.

Entendendo a Liquid Network e a Vulnerabilidade Técnica

A Liquid Network, fundada em 2018 pela Blockstream Corp. – empresa cofundada pelo criptógrafo e entusiasta do Bitcoin Adam Back –, opera como uma sidechain. Este tipo de rede paralela é projetada para acelerar a liquidação de transações, contornando a lentidão e os altos custos que podem surgir na blockchain principal do Bitcoin devido ao congestionamento. A Liquid realiza isso emitindo Liquid Bitcoin (L-BTC) em troca de Bitcoins reais, que ficam bloqueados na rede original.

A análise preliminar do incidente, de acordo com Aneirin Flynn, indica que a invasão foi possível devido a um bug que permitia a emissão não autorizada de L-BTC. A Liquid Network esclareceu em sua comunicação que os fundos foram retirados através da SideSwap, uma plataforma de liquidação autorizada, mas fez questão de frisar que a chave principal da rede não foi comprometida, apontando para uma falha no mecanismo de emissão em vez de uma quebra direta de segurança de custódia. Grandes exchanges como BTSE e Bitfinex são usuárias notáveis da Liquid Network, sublinhando a relevância da plataforma no ecossistema cripto.

O incidente na Liquid Network, com sua reviravolta na recuperação dos fundos, ilustra a complexidade e os desafios da segurança no crescente mercado de ativos digitais. Embora a recuperação da maior parte dos Bitcoins seja um desfecho relativamente positivo em um cenário de roubo, o evento reforça a constante vigilância e a necessidade de aprimoramento contínuo nas defesas cibernéticas. À medida que o setor amadurece e atrai mais capital, a robustez da infraestrutura de segurança permanecerá um pilar fundamental para a confiança e a adoção generalizada das criptomoedas.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

    Deo Martins