Lideranças políticas do Paraná anunciam apoio a Lula no segundo turno

Ricardo Stuckert
A corrida eleitoral para o segundo turno da presidência ganhou novos contornos regionais com a movimentação de figuras de destaque da política paranaense. Nomes tradicionais do estado, incluindo ex-gestores públicos e parlamentares com passagens por diferentes correntes partidárias, declararam voto na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os anúncios ocorreram em meio à agenda de mobilização da campanha petista na capital paranaense, evidenciando fissuras nas alianças locais tradicionais.
Os apoios públicos contrastam de forma direta com o cenário estadual majoritário, onde o governador Ratinho Junior (PSD) e o governador eleito Sergio Moro (PL) mantêm alinhamento com a candidatura opositora de Flávio Bolsonaro (PL). Essa reconfiguração de forças locais chamou atenção de analistas políticos e movimentou os bastidores partidários na região Sul do país.
Rearticulação e discursos na capital paranaense
Entre os apoios que mais repercutiram está o do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB). Durante um evento cultural na capital, o político utilizou metáforas musicais para defender a conciliação e criticou a dependência de influências externas na política nacional. A manifestação de Greca surpreendeu o cenário político local, uma vez que ele disputou o pleito estadual na chapa apoiada pelo grupo de Ratinho Junior e contrariou a orientação oficial do próprio MDB no estado, que declarou neutralidade ou apoio à oposição.
A passagem do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por Curitiba serviu de catalisador para consolidar essas adesões. Alckmin celebrou a aproximação com as lideranças paranaenses, destacando a necessidade de construir pontes com diferentes setores produtivos e sociais para fortalecer a governabilidade e ampliar o diálogo institucional em âmbito nacional.
Trajetórias plurais e convergência em torno da chapa
Além de Greca, outras figuras com histórico em diferentes legendas se uniram à mobilização denominada “Paraná pela Virada”. O senador Flávio Arns (PSB), com passagens por siglas como PSDB e PT ao longo de sua carreira legislativa e executiva, enfatizou a importância da interlocução que o vice-presidente mantém com o empresariado, o setor bancário e o agronegócio.
O ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT) também somou forças ao movimento, integrando o grupo de lideranças que decidiram apoiar o projeto petista nesta fase da disputa. A presença de Fruet reforça o caráter multipartidário que a campanha busca consolidar na reta decisiva do pleito, agregando nomes que já atuaram em campos opostos ao longo dos anos recentes.
Histórico constitucional e defesa de políticas públicas
Outro apoio de peso veio de Alceni Guerra (PSB), que comandou o Ministério da Saúde durante a gestão de Fernando Collor. Ex-prefeito de Pato Branco e ex-deputado federal, Alceni relembrou sua atuação conjunta com Alckmin na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, com foco na construção das bases legislativas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Diferente de outras adesões recentes, o posicionamento de Alceni repete o gesto realizado no pleito presidencial anterior, quando também optou por votar no atual presidente no segundo turno. A defesa histórica de programas sociais e da estrutura pública de atendimento à população tem sido um dos motes utilizados por essas lideranças para justificar o alinhamento político atual.
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