Galípolo Classifica Argumentos dos EUA Contra o Pix como ‘Desculpas’ para Novas Tarifas

 Galípolo Classifica Argumentos dos EUA Contra o Pix como ‘Desculpas’ para Novas Tarifas

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva n…

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou veementemente os argumentos apresentados pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Em coletiva de imprensa concedida nesta quinta-feira (16), Galípolo afirmou que tais alegações são, na verdade, pretextos para justificar a imposição de tarifas a produtos nacionais. A declaração surge após os EUA anunciarem uma taxação de 25% sobre diversos bens brasileiros, intensificando a tensão comercial entre os dois países.

A Escalada da Disputa Comercial e as Acusações Americanas

A mais recente crise comercial teve início na noite de quarta-feira (15), quando o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma variedade de produtos brasileiros. A medida foi apresentada como uma punição a 'práticas comerciais desleais' atribuídas ao Brasil. O USTR detalhou uma série de acusações, que incluíram supostas irregularidades em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – com o Pix sendo explicitamente citado –, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

A Defesa do Pix: Crescimento, Eficiência e Inovação

Galípolo rechaçou a base lógica das críticas americanas ao Pix, utilizando uma analogia para ilustrar a falta de sentido: comparou-a à ideia de que a criação do saneamento básico prejudicaria a receita de caminhões-pipa, uma premissa que ele classificou como irreal. O presidente do Banco Central apresentou dados concretos para desmentir a noção de que o Pix teria canibalizado outros meios de pagamento. Ele destacou que, desde a implementação do sistema instantâneo, o mercado de cartão de crédito no Brasil registrou um impressionante crescimento de 150%. Os verdadeiros substituídos pelo Pix, segundo Galípolo, foram os cheques e o dinheiro físico, cuja transição é 'absolutamente desejável' devido aos seus altos custos de transação e menor eficiência.

Reconhecimento Global e o Pioneirismo Brasileiro

A importância e o sucesso do Pix, conforme enfatizado por Galípolo, transcendem as fronteiras nacionais. O sistema é reconhecido internacionalmente por entidades de peso como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco de Compensações Internacionais (BIS), que atestam seus múltiplos benefícios para a sociedade brasileira. O Banco Central do Brasil, inclusive, já estabeleceu acordos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais ao redor do mundo, que buscam desenvolver sistemas semelhantes. Galípolo ressaltou que países como os Estados Unidos, nações europeias, China, Índia e Singapura já estão estudando ou implementando suas próprias versões de pagamentos instantâneos, consolidando o Pix como um modelo e o 'futuro' das transações financeiras globais. O dirigente ainda garantiu o compromisso do BC em manter o Pix gratuito, seguro e instantâneo, além de continuar investindo em sua evolução técnica.

Infraestrutura Aberta: A Chave para Competição e Inclusão

Abordando diretamente a questão das 'práticas desleais' levantadas pelo USTR, Galípolo expressou estranhamento com a posição americana, dado que a infraestrutura do Pix é fundamentalmente aberta. Ele explicou que é uma tendência mundial que sistemas de pagamento funcionem como infraestruturas públicas. No caso brasileiro, essa abertura permite que todos os participantes do mercado acessem a plataforma, fomentando a concorrência e a inovação. De acordo com o presidente do BC, essa arquitetura resultou em uma significativa queda nos custos de transação para todos os agentes econômicos, públicos e privados. Galípolo afirmou que o Brasil está na vanguarda tecnológica no que tange à inclusão financeira e à promoção da competitividade dentro de seu sistema financeiro, com o Pix sendo um exemplo claro de como uma infraestrutura pública pode beneficiar o mercado e a sociedade.

Conclusão: Pretextos para Barreiras Comerciais

Em resumo, a coletiva de imprensa, que contou com a participação de outras altas autoridades do governo brasileiro, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros-chave, reforçou a percepção de que os argumentos americanos contra o Pix carecem de substância e servem como meros pretextos para justificar a imposição de barreiras comerciais. O sucesso comprovado do Pix em impulsionar a inclusão financeira, reduzir custos e promover a competitividade, além de seu reconhecimento internacional, é apresentado como um contra-argumento sólido às acusações, posicionando o Brasil como um líder em inovação no cenário global de pagamentos.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

    Deo Martins