Dólar recua impulsionado por decisão do Fed e indicadores de inflação dos EUA

Um funcionário conta cédulas de dólar americano em uma casa de câmbio em Jacarta, na Indonés…
O dólar encerrou a quinta-feira em notável desvalorização frente ao real, um movimento que espelhou o recuo generalizado da moeda norte-americana ante outras divisas no cenário global. Essa dinâmica foi fortemente influenciada pela recente decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e por uma série de importantes indicadores econômicos divulgados nos Estados Unidos, que juntos delinearam um novo panorama para os mercados.
Desempenho da Moeda Norte-Americana no Fechamento
Ao final do pregão, o dólar à vista registrou uma queda expressiva de 0,95%, fechando a cotação em R$5,0621. Este resultado contribuiu para que a divisa acumulasse uma baixa de 7,78% ante o real no decorrer do ano. No mercado futuro, o contrato para agosto (DOLc1), o mais negociado na B3, também refletiu o otimismo, cedendo 1,07% e atingindo a marca de R$5,0660 por volta das 17h03. Para referência no mercado comercial, os valores de compra e venda foram observados em R$ 5,092 e R$ 5,093, respectivamente.
Impacto da Política Monetária do Federal Reserve
A decisão do Federal Reserve, tomada na quarta-feira, de manter as taxas de juros inalteradas, gerou repercussões significativas nos mercados globais. Essa postura do banco central norte-americano levantou questionamentos sobre a capacidade do chair do banco central, Kevin Warsh, em cumprir a promessa de reconduzir a inflação dos Estados Unidos à meta de 2%. Observa-se um aumento nas expectativas dos investidores de que o Fed possa, de fato, manter os juros estáveis em setembro, com a probabilidade de manutenção subindo para 30%, em comparação com os 24% projetados antes da última reunião, conforme dados da ferramenta FedWatch do CME Group.
Indicadores Econômicos dos EUA: Inflação e Crescimento
A percepção do mercado também foi moldada por importantes dados econômicos divulgados nos Estados Unidos. O núcleo da inflação PCE (Índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal), que é a métrica preferida do Fed para a inflação e exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, apresentou um aumento de 0,1% em junho. Na comparação anual, a taxa alcançou 3,3%. Paralelamente, o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano registrou um crescimento de 1,5% em termos anualizados no segundo trimestre, indicando um ritmo de expansão moderado.
Cenário Econômico e Político no Brasil
No contexto doméstico, a taxa de desemprego no Brasil permaneceu em 5,4% nos três meses encerrados em junho, um resultado que se alinhou com a mediana das previsões em pesquisa realizada pela Reuters. Enquanto isso, a agenda política e econômica nacional também teve seus desdobramentos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, esteve em Mato Grosso do Sul, onde participou de encontros com lideranças locais e representantes do setor produtivo, além de proferir palestras. Em outro ponto da esfera pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença no podcats Inteligência LTDA, às 18h30.
Em síntese, a desvalorização do dólar nesta quinta-feira foi um reflexo direto da confluência de fatores internacionais, com destaque para as ações e expectativas em torno do Federal Reserve, bem como a divulgação de indicadores macroeconômicos chave nos Estados Unidos. O cenário doméstico, com a estabilidade do desemprego e a agenda de líderes, complementou o pano de fundo que influenciou as negociações da moeda, reforçando a interconexão entre as políticas monetárias globais e o desempenho das economias.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
