Cooperativismo Brasileiro Acelera Crescimento e Supera R$ 848 Bilhões em Receita, Alcançando 29 Milhões de Pessoas

Agrofibra Cooperativa Agroindustrial (Foto: Divulgação)
O setor cooperativista no Brasil demonstra uma notável robustez e expansão contínua, mesmo diante de um cenário global desafiador que inclui incertezas macroeconômicas, complexidades na oferta de crédito e eventos climáticos adversos. Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, recém-divulgados pelo Sistema OCB, revelam um crescimento expressivo em 2025. O número de brasileiros associados a cooperativas atingiu a marca impressionante de 29 milhões, um salto de 12,5% em comparação ao ano anterior. Paralelamente, os ingressos financeiros do setor consolidado avançaram 12% no mesmo período, totalizando R$ 848 bilhões, confirmando a ascensão do modelo cooperativo como um pilar socioeconômico fundamental para o país.
A Força do Cooperativismo em Números Abrangentes
Com aproximadamente 4,4 mil cooperativas distribuídas por 3.425 municípios em todo o território nacional, o sistema cooperativista consolidou sua posição. Em 2025, os ativos totais do setor alcançaram R$ 1,4 trilhão, representando um aumento de 14,9% em relação ao ano anterior. Essa expansão gerou um impacto significativo no mercado de trabalho, com a criação de 623 mil empregos diretos, um crescimento de 6,1% na comparação anual.
Tania Zanella, presidente-executiva do Sistema OCB, enfatiza a relevância desse avanço: hoje, 13,6% da população brasileira está integrada a alguma cooperativa. Esse percentual robusto sublinha a solidificação do modelo como uma estrutura eficaz de organização econômica e social. Segundo Zanella, o crescimento consistente e os resultados tangíveis do cooperativismo refletem a escolha de milhões de pessoas por um modelo baseado na cooperação, na distribuição equitativa de riqueza e no desenvolvimento comunitário, provando que é possível aliar competitividade, inclusão e prosperidade.
Um dos pilares da inclusão promovida pelo cooperativismo é sua capilaridade. O Anuário de 2026 destaca que, em 1.072 municípios brasileiros, a cooperativa é a única instituição financeira disponível, desempenhando um papel crucial na promoção da inclusão bancária e no acesso ao crédito em regiões que, de outra forma, seriam negligenciadas pelo sistema financeiro tradicional.
Crédito: O Carro-Chefe da Inclusão Financeira
Entre os sete ramos de atuação das cooperativas – que em breve se expandirão para oito com a inclusão de seguros –, o de crédito se destaca como o maior em número de associados. Em 2025, este segmento agregou 22,96 milhões de cooperados, representando 79,1% do total e um incremento de 14,1% em relação a 2024. Tania Zanella ressalta o papel fundamental das cooperativas de crédito não apenas no provimento de acesso a linhas de crédito com taxas mais competitivas, mas também na promoção da educação financeira, um objetivo estratégico do Banco Central que o setor cooperativo sempre integrou em suas práticas.
As cooperativas de crédito hoje oferecem um portfólio completo de produtos e serviços financeiros, equiparado às instituições bancárias tradicionais, e contam com um fundo garantidor para segurança dos depósitos. A força do relacionamento direto, “olho no olho”, é um diferencial, potencializado pelo fato de o cooperado ser simultaneamente cliente e dono. Este modelo singular contribui para que as cooperativas de crédito mantenham a menor taxa de inadimplência do sistema financeiro nacional. Outros dados do Anuário reforçam essa vitalidade: nas localidades onde operam, as cooperativas de crédito contribuem para um acréscimo de R$ 3,9 mil no PIB por habitante, e estima-se que a cada R$ 1 concedido em crédito, R$ 2,56 são gerados em atividade econômica.
Agropecuária e Saúde: Pilares de Crescimento e Resiliência
A Vitalidade do Agronegócio Cooperativo
Se o setor de crédito lidera em número de cooperados, as cooperativas agrícolas sobressaem em volume de produção e receita. Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB, detalha que o ramo agropecuário foi responsável por R$ 487,3 bilhões em receita em 2025, o que corresponde a 57,4% do total do setor, com um crescimento de 11,2% em comparação a 2024. Além disso, é o maior empregador, gerando 277 mil postos de trabalho diretos, um aumento de 3,3% no último período avaliado. Maffia sublinha a resiliência dessas cooperativas em um cenário de alto endividamento agrícola, desafios climáticos crescentes e impactos do protecionismo comercial, destacando sua capacidade de adaptação e sustentabilidade.
Cooperativas de Saúde: Cuidado e Qualidade Reconhecidos
No ramo da saúde, as cooperativas também demonstram um papel crucial, atendendo a 20 milhões de beneficiários na área médica e 4,3 milhões na odontológica em 2025. Clara Maffia enfatiza a excelência do serviço prestado: entre as 20 operadoras médico-hospitalares que alcançaram a nota máxima no IDSS (Índice de Desempenho da Saúde Suplementar), métrica da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, 18 são cooperativas, evidenciando a alta qualidade e eficiência do modelo cooperativo na gestão da saúde.
Conclusão: O Futuro Consolidado do Modelo Cooperativo no Brasil
Os dados apresentados pelo Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 desenham um futuro promissor para o setor. O crescimento consistente em cooperados, receita, ativos e empregos diretos reafirma a importância das cooperativas como agentes de desenvolvimento econômico e social em todo o Brasil. Com sua capacidade de promover inclusão financeira em regiões remotas, fomentar a educação financeira, e demonstrar resiliência em setores estratégicos como o agronegócio e a saúde, o cooperativismo não apenas cresce em números, mas consolida-se como um modelo eficaz para conciliar progresso econômico com valores de solidariedade e responsabilidade social. A expansão contínua, inclusive para novos ramos como o de seguros, sinaliza uma trajetória de cada vez maior relevância para o país.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
