Investidores brasileiros retomam otimismo com bolsa e ampliam planos de alocação em ações

 Investidores brasileiros retomam otimismo com bolsa e ampliam planos de alocação em ações

Reprodução / infomoney.com.br

O mercado financeiro brasileiro vive um momento de renovado otimismo. De acordo com uma pesquisa recente realizada pela XP junto à sua base de escritórios de assessoria, o apetite dos investidores por ações registrou em setembro o maior salto mensal desde junho de 2023. O levantamento, que ouviu 103 profissionais entre os dias 10 e 25 de setembro, revela uma mudança significativa na disposição de risco do público investidor.

A parcela de assessores que relata planos de seus clientes em aumentar a exposição à renda variável subiu para 29%, um avanço de 19 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Esse movimento marca a maior leitura do indicador desde março deste ano, sinalizando uma confiança crescente na performance da bolsa de valores brasileira.

Recuperação do Ibovespa impulsiona sentimento de mercado

A melhora no ânimo dos investidores caminha lado a lado com a trajetória recente do Ibovespa. Após encerrar o mês de agosto no patamar dos 177 mil pontos, o principal índice da bolsa brasileira engatou uma sequência de 11 pregões de alta no início de setembro. Esse desempenho, que levou o índice a atingir seu maior fechamento desde maio, reflete diretamente na percepção dos assessores, cuja nota média de otimismo saltou de 5,7 para 6,8 em uma escala de até 10 pontos.

A proporção de profissionais que atribuíram notas elevadas (7 ou superior) à bolsa cresceu 18 pontos, chegando a 61%. Em contrapartida, a fatia de assessores que indicam a intenção de reduzir a exposição à renda variável caiu para 11%. A estabilidade também ganhou fôlego, com a parcela de clientes que não pretendem alterar suas posições recuando para 60%, o menor patamar desde março.

Projeções para o futuro e cautela na alocação

Apesar do otimismo crescente, a alocação efetiva nas carteiras ainda demonstra um perfil conservador. Para 85% dos assessores, a renda variável ocupa até 25% do portfólio dos clientes, mantendo o mesmo patamar de agosto. Quase metade dos entrevistados (49%) relata que a exposição a ações não ultrapassa 10% do patrimônio total.

Ainda assim, as expectativas para o longo prazo foram revisadas para cima. A estimativa média para o Ibovespa ao final de 2026 subiu para 188 mil pontos, superando os 172 mil projetados anteriormente. A maior parte dos respondentes, cerca de 40%, aposta que o índice encerrará o período na faixa entre 170 mil e 190 mil pontos, enquanto 19% dos assessores já vislumbram o Ibovespa superando a marca dos 200 mil pontos.

Cenário eleitoral e riscos fiscais no radar

Embora o apetite por risco tenha crescido, a cautela permanece como um pilar importante nas decisões de investimento. A renda fixa continua sendo a classe de ativos preferida, citada por 84% dos assessores como o principal foco de interesse dos clientes. Este cenário é moldado por preocupações persistentes com o ambiente macroeconômico.

Os riscos fiscais lideram as inquietações, sendo apontados por 78% dos profissionais. Logo atrás, a instabilidade política e as eleições de outubro aparecem como fatores determinantes, citadas por 71% dos consultados — o maior nível já registrado na série histórica da pesquisa. Além disso, a influência do pleito é clara: 75% dos assessores afirmam que as eleições já impactam as decisões de alocação, com 33% dos clientes já posicionando suas carteiras de forma estratégica para o resultado das urnas. Para entender melhor como navegar nesse período, especialistas discutem estratégias de proteção para o patrimônio.

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    Deo Martins