Abstenção eleitoral pode surpreender e travar avanço no segundo turno

 Abstenção eleitoral pode surpreender e travar avanço no segundo turno

Reprodução / infomoney.com.br

A taxa de abstenção eleitoral nas eleições presidenciais pode registrar um movimento inesperado e aumentar no segundo turno, previsto para o dia 25 de outubro. A avaliação foi detalhada pelo cientista político Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, durante análise no programa Mapa de Risco, veiculado nesta sexta-feira.

De acordo com o especialista, embora o senso comum aponte para um engajamento maior dos cidadãos na reta final entre Lula e Flávio Bolsonaro, o fim das disputas regionais em diversos estados tende a atuar como um desestímulo prático para o eleitor retornar às seções eleitorais.

Fim dos pleitos estaduais arrefece o comparecimento

O argumento central apresentado por Bruno Soller destaca que o encerramento das corridas para os governos estaduais no primeiro turno reduz o apelo local do pleito. Sem a disputa estadual direta para movimentar cabos eleitorais e bases municipais, muitos cidadãos deixam de se deslocar apenas para a votação presidencial.

Um dos casos citados foi o Ceará, que computou índice de abstenção perto de 17% no início de outubro, impulsionado por um embate acirrado pelo comando do Executivo local. Com governadores já eleitos em várias unidades federativas, a dinâmica nas urnas perde parte da pressão territorial que existia anteriormente.

Apesar do risco de desmobilização, o cientista político ressaltou que as variações nos índices gerais de comparecimento costumam ser moderadas no histórico brasileiro, oscilando pouco entre as duas etapas de votação.

Histórico das abstenções e os números do primeiro turno

No primeiro turno realizado em 4 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral contabilizou a ausência de 33,4 milhões de pessoas, o que representou 21,08% de todo o eleitorado apto. A marca configurou o patamar mais alto de não comparecimento em uma primeira fase presidencial desde o ano de 1998.

Em pleitos anteriores, a flutuação desse índice foi contida. Na disputa nacional de 2022, por exemplo, o percentual de ausências recuou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, demonstrando uma diferença modesta de 0,36 ponto percentual entre os turnos.

Fidelidade de votos e estratégias de campanha

O índice de presença nas urnas tornou-se uma métrica acompanhada diariamente pelas coordenações de campanha de ambos os candidatos. Além de tentar atrair os eleitores que apoiaram nomes eliminados na fase inicial, a recuperação de faltosos desponta como fator determinante para a composição dos votos válidos.

Levantamentos internos conduzidos pela Real Time Big Data apontam que a migração direta entre os dois postulantes é residual. Entre 94% e 95% das pessoas que optaram por Lula ou Flávio Bolsonaro afirmam a intenção de manter a escolha, consolidando um quadro de cristalização das preferências.

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    Deo Martins