Tereza Cristina freia PEC da escala 6×1 e exige debate aprofundado no Senado

Andre Borges/Especial Metrópoles
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a escala de trabalho, conhecida como PEC da 6×1, enfrenta resistência no Senado Federal. Nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) reforçou a necessidade de mudanças no texto e de um debate mais aprofundado antes que a matéria seja levada à votação em plenário. A parlamentar, que é líder do PP na Casa e vice-líder da minoria, alertou contra a aprovação da proposta “de afogadilho”, destacando a complexidade do tema e seus potenciais impactos.
A discussão em torno da PEC 221/2019, que já foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, ganhou novos contornos com a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais. A senadora enfatizou que a matéria mexe com a Constituição brasileira e, portanto, exige cautela e um texto bem elaborado, que não possa ser facilmente emendado como um projeto de lei comum.
O Alerta de Tereza Cristina no Senado
Tereza Cristina tem sido uma voz ativa na defesa de revisões no texto da PEC 6×1. Ela revelou ter votado contra o parecer aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, argumentando que o texto atual não está adequado e precisa ser aprimorado. “Eu já votei, eu já fui contra na CCJ. Não é que eu sou contra a matéria, eu acho que o texto não está bom. Eu acho que esse texto pode ser melhorado. Por que ele não pode ser melhorado? É uma PEC, gente. Nós estamos mexendo com a Constituição do Brasil, nós não estamos fazendo um projeto de lei que amanhã pode ter algum emendamento nele”, declarou a senadora.
A parlamentar também fez questão de separar a redução da jornada de trabalho da questão da escala. Segundo ela, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com o estabelecimento de dois dias de descanso e a manutenção dos salários, parece ser um ponto “praticamente pacificado”. No entanto, a escala de trabalho em si representa um desafio maior, devido à diversidade dos segmentos econômicos e às diferentes formas de atuação que poderiam ser prejudicadas.
Os Pontos de Controvérsia da PEC
A principal preocupação de Tereza Cristina reside nos impactos que a alteração da escala de trabalho pode gerar para setores específicos da economia e, consequentemente, para a sociedade. “A escala é um problema, porque nós temos segmentos da economia muito diferentes que atuam de maneiras diferentes e que vão ter realmente prejuízo, e prejuízo para a população, para a sociedade, não só para a economia, mas para a sociedade, de como é que isso vai acontecer”, explicou.
A pressa na votação da PEC também foi um ponto crítico para a senadora. Questionada sobre a possibilidade de votar a proposta após o segundo turno presidencial, Tereza Cristina desconversou, mas deixou claro seu posicionamento: “Eu não sou favorável que vote nem antes nem depois. Só não pode ser uma medida votada de afogadilho para ser eleitoreira”. Ela reiterou que sua preocupação é com o Brasil, e não com questões eleitorais, afirmando que o assunto é de interesse nacional e pode prejudicar o país se não for bem discutido.
Manobras Políticas e o Cenário Eleitoral
A tentativa de adiar a votação da PEC da 6×1 no Senado não é isolada. Senadores de partidos como PL, PP e Republicanos têm trabalhado para evitar que a proposta seja votada antes do segundo turno da eleição presidencial. Apesar dessas articulações, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve a tramitação da matéria, indicando a complexidade das forças políticas em jogo.
Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro (PL) e é próxima de Flávio Bolsonaro (PL), já havia se posicionado contra o parecer da CCJ. Ao lado de outros senadores como Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jaime Bagattoli (PL-RO), ela também se opôs ao calendário especial que visava acelerar a análise da proposta. Sua postura reflete uma linha de oposição que busca maior tempo para análise e possíveis modificações no texto, evitando que a pauta seja instrumentalizada por interesses eleitorais.
O Trâmite da Proposta no Congresso
A PEC 221/2019, defendida pelo governo Lula, representa uma mudança significativa na legislação trabalhista brasileira. Após sua aprovação na Câmara dos Deputados, o texto seguiu para o Senado, onde já passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Para ser definitivamente aprovada, a proposta precisa ser votada em dois turnos pelo plenário do Senado, exigindo o apoio de, no mínimo, 49 votos favoráveis em cada uma das votações. O debate atual demonstra que o caminho para a aprovação final ainda é longo e permeado por intensas discussões sobre seus méritos e impactos.
Para se manter atualizado sobre os desdobramentos da PEC da 6×1 e outras notícias relevantes do cenário político e econômico brasileiro, continue acompanhando o Infopebas. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os temas que impactam o seu dia a dia. Acompanhe o trâmite de propostas legislativas e entenda como as decisões do Congresso afetam o país.

