Igreja ligada a ex-secretário abrigava projeto para idosos no RJ investigado por fraudes

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Um programa voltado para a terceira idade no estado do Rio de Janeiro virou alvo de investigações após fiscais e órgãos de controle apontarem a instalação de unidades em templos religiosos associados a figuras políticas. O Projeto Reabilita 60+, criado em 2023, contava com dezenas de núcleos voltados ao atendimento de pessoas com mais de 60 anos, mas a escolha de alguns endereços gerou questionamentos administrativos e suspensão de repasses financeiros.
A iniciativa foi idealizada no âmbito da gestão da antiga Secretaria de Juventude e Envelhecimento Saudável, pasta que era comandada por Alexandre Isquierdo. Com o avanço das apurações estaduais, o programa passou a ser escrutinado por órgãos de fiscalização para verificar a regularidade dos repasses e a real entrega dos serviços prestados à população idosa fluminense.
Estrutura e distribuição dos núcleos sociais
Documentos oficiais e levantamentos detalhados apontam que o programa contava com dezenas de polos espalhados por diferentes regiões do território fluminense, com forte presença na capital. Contudo, parte dessas unidades acabou sendo instalada no interior ou nas dependências de igrejas evangélicas, incluindo congregações ligadas diretamente a lideranças religiosas com trânsito político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Organizações da sociedade civil foram contratadas pelo poder público para operacionalizar o atendimento. A meta inicial previa a implantação de centenas de pontos de apoio, mas auditorias apontaram distorções entre o planejamento burocrático e a realidade encontrada durante as vistorias técnicas em campo.
Fiscalização encontra irregularidades e suspende repasses
As suspeitas ganharam força após vistorias realizadas por equipes técnicas do governo estadual. Em uma das visitas fiscalizatórias realizadas em uma igreja batista que deveria abrigar um dos polos, os agentes encontraram o imóvel fechado, sem qualquer atividade em funcionamento e desprovido de equipes profissionais do programa social.
Diante dos indícios de falhas administrativas, pagamentos antecipados sem a devida comprovação de entrega e estruturas duplicadas, a gestão estadual decidiu suspender os repasses financeiros e paralisar as atividades ligadas à iniciativa. Os contratos firmados passaram a ser escrutinados por comissões de sindicância interna e órgãos de controle externo.
Defesa e desdobramentos institucionais
Procurado para prestar esclarecimentos sobre a escolha dos endereços, o deputado Alexandre Isquierdo defendeu a legalidade da iniciativa. O parlamentar argumentou que os locais passaram por análises técnicas e que a parceria entre o poder público e entidades religiosas é uma prática comum em ações voltadas ao bem-estar social, ressaltando que o atendimento era aberto a qualquer cidadão da terceira idade, independentemente de credo.
Por sua vez, a administração estadual reiterou que mantém o compromisso com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos. A apuração segue em andamento para determinar eventuais responsabilidades administrativas e garantir o ressarcimento de valores aos cofres públicos caso seja comprovado dano ao erário.
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