Governo detalha como Polymarket dribla bloqueios no Brasil com uso de influenciadores e redes sociais

 Governo detalha como Polymarket dribla bloqueios no Brasil com uso de influenciadores e redes sociais

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A plataforma de apostas Polymarket tem empregado estratégias sofisticadas para contornar os bloqueios impostos no Brasil, utilizando a rede social X (antigo Twitter) e uma vasta rede de influenciadores digitais. A revelação foi feita pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda à Advocacia-Geral da União (AGU), em uma nota informativa enviada em 22 de setembro de 2026, atendendo a uma demanda do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminhada à AGU.

O caso acende um alerta sobre os desafios da regulamentação de mercados de previsão online e a fiscalização de conteúdos digitais, especialmente em um cenário onde plataformas e criadores de conteúdo buscam novas formas de engajamento e monetização, muitas vezes operando em uma zona cinzenta da legislação.

O cerco do Ministério da Fazenda à Polymarket

A Polymarket é classificada pelo governo brasileiro como um mercado de previsão não regulamentado. Diante dessa situação, a SPA do Ministério da Fazenda já havia determinado, em 24 de abril de 2026, o bloqueio da plataforma e de outros 26 domínios que operavam apostas sem a devida autorização no país. Essa medida visava coibir a atuação de empresas que não se adequam às normas estabelecidas para o setor.

Apesar dos bloqueios, a plataforma continuou a operar e a SPA identificou que a Polymarket tem se valido de táticas para burlar as restrições. A atuação do governo Lula (PT), por meio da SPA, tem sido intensa para combater essas irregularidades, culminando, por exemplo, na retirada do ar do perfil da Polymarket voltado ao mercado brasileiro no Instagram em 23 de setembro de 2026.

Estratégias de evasão: X, VPNs e perfis secundários

A nota informativa da Fazenda detalha as principais ferramentas utilizadas pela Polymarket para driblar o cerco regulatório. Uma delas é o uso estratégico da rede social X. Diferentemente de outras plataformas, o X não integra o Conselho Digital do Brasil, um mecanismo pelo qual o Ministério da Fazenda solicita a remoção de conteúdos irregulares em outras redes.

Essa lacuna permite que a Polymarket continue a divulgar suas atividades e atrair usuários por meio do X, dificultando a ação direta do governo. Além disso, a plataforma faz uso de perfis secundários e de Redes Virtuais Privadas (VPNs), tecnologias que permitem aos usuários mascarar sua localização geográfica e acessar conteúdos que seriam bloqueados em determinadas regiões, conferindo um anonimato que complica a fiscalização.

O poder dos influenciadores digitais e a polêmica política

Um dos pontos mais críticos da estratégia da Polymarket, e que tem gerado grande preocupação ao governo, é a parceria com influenciadores digitais. Um levantamento realizado entre maio e agosto de 2026 analisou 656 publicações da Polymarket no Instagram e revelou que a política era o principal tema de engajamento da marca. A plataforma chegou a divulgar apostas sobre a corrida presidencial brasileira, com uma postagem que mostrava o deputado Flávio Bolsonaro (PL) à frente entre os participantes da plataforma, o que gerou controvérsia e intensificou a atenção do governo.

A investigação identificou parcerias com mais de 15 perfis de grande alcance, que somavam dezenas de milhões de seguidores. O mais grave, segundo o documento da SPA, é que nenhuma dessas publicações analisadas apresentava a sinalização obrigatória de conteúdo publicitário, o que configura uma infração às normas de publicidade e transparência. Diante desse cenário, o governo informou à AGU que pode punir os influenciadores que estão divulgando a plataforma de apostas Polymarket, reforçando a responsabilidade de quem promove conteúdos online.

Desafios da regulamentação no ambiente digital

O caso da Polymarket ilustra os desafios crescentes enfrentados pelos órgãos reguladores em um mundo cada vez mais digitalizado. A velocidade com que novas plataformas surgem e as estratégias de evasão se sofisticam exigem uma atualização constante das leis e dos mecanismos de fiscalização. A atuação da SPA e da AGU busca não apenas coibir atividades ilegais, mas também proteger os consumidores de mercados não regulamentados, que podem apresentar riscos financeiros e éticos.

A discussão sobre a responsabilidade das plataformas e dos influenciadores na divulgação de conteúdos irregulares é fundamental para garantir um ambiente digital mais seguro e transparente para todos os usuários.

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    Deo Martins