PEC do fim da escala 6×1 avança no Senado com votação prevista para após o primeiro turno

BRENO ESAKI/METRÓPOLES
O rito legislativo da proposta no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou para a próxima terça-feira (6/10) o início da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. A decisão de incluir o tema na agenda do plenário ocorre logo após o primeiro turno das eleições, marcando um movimento estratégico no Congresso Nacional. Embora o cronograma não tenha seguido a pressão inicial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscava a votação antes do pleito, a medida é vista como um avanço significativo para a pauta trabalhista.
Acordo político para acelerar a tramitação
Apesar de o regimento interno do Senado exigir cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, a expectativa é de que o processo seja célere. A prática comum na Casa, quando há consenso entre as lideranças partidárias, é o encurtamento desses prazos através de um acordo político. A PEC já conta com um calendário especial aprovado, o que facilita a concentração das etapas de debate e a votação final.
Para que a proposta seja efetivamente aprovada e siga para promulgação, ela precisa do respaldo de, no mínimo, 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação. A estratégia de manter o texto original, sem alterações de mérito, é fundamental para evitar que a matéria retorne à Câmara dos Deputados, o que atrasaria a implementação das mudanças.
O papel da relatoria e o legado de Paulo Paim
O senador Omar Aziz (PSD-AM), que relatou a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), defendeu a manutenção integral do texto vindo da Câmara. No entanto, articulações de bastidores apontam para a possibilidade de a relatoria no plenário ser transferida ao senador Paulo Paim (PT-RS). A medida seria um gesto simbólico, já que Paim, que encerra seu mandato em janeiro de 2027, é um histórico defensor da redução da jornada de trabalho no país.
Impactos da nova jornada de trabalho
A proposta central da PEC é a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo a integridade dos salários. Além disso, o texto garante dois dias de descanso remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos. A implementação da medida seria escalonada:
- Dois meses após a publicação, o teto cai para 42 horas semanais.
- Um ano após o primeiro prazo, a jornada atinge o limite definitivo de 40 horas.
- O texto preserva a possibilidade de negociações coletivas para compensação de horas.
O debate sobre a jornada de trabalho reflete uma demanda crescente por qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para acompanhar os desdobramentos dessa votação e outros temas que impactam o cenário nacional, continue acompanhando o Infopebas. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística séria, aprofundada e sempre atualizada sobre os fatos que moldam o Brasil.
