Ouro recua com payroll forte e juros altos nos Estados Unidos

 Ouro recua com payroll forte e juros altos nos Estados Unidos

Divulgação/Banco do Brasil

O mercado internacional de metais preciosos registrou uma reviravolta nesta sexta-feira (6). O ouro encerrou o pregão em baixa, interrompendo uma sequência de duas sessões consecutivas de ganhos, mas conseguiu preservar um saldo positivo no acumulado da semana.

A mudança de direção foi motivada diretamente pela divulgação do relatório de empregos, conhecido como payroll, nos Estados Unidos. O indicador veio acima das expectativas e deu novo fôlego ao dólar e aos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, alimentando as apostas de que o Fed (Federal Reserve) poderá elevar as taxas de juros na reunião de dezembro.

Impacto do mercado de trabalho americano

O resultado do payroll surpreendeu analistas ao mostrar um crescimento robusto no número de vagas de trabalho em outubro. Esse cenário de aquecimento econômico afasta a urgência de cortes monetários e recoloca no radar a possibilidade de aperto nos juros pelo Fed.

Com os juros em patamares elevados, ativos que não geram rendimento fixo, a exemplo do ouro, tendem a perder atratividade para os investidores institucionais. A alta dos rendimentos dos Treasuries eleva o custo de oportunidade de manter posições em metais.

Desempenho na Comex e balanço semanal

Na Comex, divisão de metais da Nymex, o contrato do ouro para dezembro fechou em queda de 0,94%, cotado a US$ 4.074,9 por onça-troy. No mesmo sentido, a prata para dezembro recuou 0,83%, encerrando a US$ 51,942 por onça-troy.

Apesar do revés no último dia útil da semana, o saldo acumulado permaneceu no azul. O ouro acumulou valorização de 4,51% no período, enquanto a prata registrou ganhos de 5,41%, sustentados pelo ímpeto comprador observado nos dias anteriores.

Repercussão entre analistas e mercados

Especialistas apontam que o comportamento recente reflete um momento de cautela e liquidez nos mercados globais. Segundo análise do mercado internacional, a forte volatilidade nas bolsas e a busca por proteção imediata também influenciaram a dinâmica de realização de lucros.

A ferramenta FedWatch da CME passou a apontar uma probabilidade expressiva de 76,8% para a alta de juros em dezembro, refletindo a reação imediata dos traders aos novos dados macroeconômicos divulgados.

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    Deo Martins