Morte de jovem em Ananindeua acende alerta para surto de Doença de Chagas e reforça fiscalização no açaí

 Morte de jovem em Ananindeua acende alerta para surto de Doença de Chagas e reforça fiscalização no açaí

Foto: Agência Pará

O falecimento precoce de Ronald Maia da Silva, de 26 anos, trouxe à tona uma preocupação latente para os moradores da região metropolitana de Belém: a segurança no consumo do açaí. A confirmação de que o jovem foi vítima da doença de chagas, após semanas de diagnósticos imprecisos, mobilizou as autoridades sanitárias de Ananindeua em uma operação de interdição de pontos de venda e conscientização da população.

Diagnóstico tardio e fatalidade

Ronald começou a apresentar sintomas em dezembro de 2025. Durante 20 dias, o jovem buscou atendimento em diversas unidades de saúde, mas, segundo relatos da família, os médicos suspeitaram inicialmente de pneumonia ou tuberculose. O diagnóstico correto de doença de chagas só veio no último dia do ano, data de seu falecimento.

O caso não é isolado. Atualmente, o município de Ananindeua investiga outros sete casos suspeitos, com três confirmações oficiais. A demora na identificação da doença é um dos principais agravantes, pois o tratamento precoce é fundamental para evitar complicações cardíacas e digestivas fatais.

Vigilância Sanitária fecha o cerco contra batedores irregulares

Como resposta imediata, a Vigilância Sanitária de Ananindeua iniciou uma série de fiscalizações, resultando na interdição de pontos de comercialização no bairro Cidade Nova 6 e adjacências. Os estabelecimentos foram fechados por não cumprirem as normas básicas de higiene e por não possuírem o selo de qualidade “Açaí Bom que Só”.

As autoridades reforçam que a transmissão não ocorre pelo fruto em si, mas pela falta de higiene no processamento. O “barbeiro“, inseto transmissor do protozoário Trypanosoma cruzi, pode ser triturado acidentalmente junto com os grãos se não houver a limpeza adequada.

O Protocolo de Segurança: O Branqueamento

Para garantir a segurança do consumidor, a técnica do branqueamento é obrigatória por lei. O processo consiste em um choque térmico que elimina o parasita sem alterar as propriedades nutricionais ou o sabor do alimento.

Passo a passo do Branqueamento:

  1. Limpeza: Retirada de impurezas e lavagem em água corrente.

  2. Desinfecção: Imersão em solução clorada por 10 minutos.

  3. Choque Térmico: Mergulhar os frutos em água a 80°C por 10 segundos, seguido de resfriamento imediato.

Sinais de alerta e prevenção

Especialistas recomendam que qualquer pessoa que apresente febre persistente (há mais de uma semana), inchaço no rosto ou membros, dor de cabeça e cansaço extremo, procure imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), informando o histórico de consumo de açaí de procedência desconhecida.

A orientação principal para os consumidores é observar a presença do cartaz de licenciamento da Vigilância Sanitária e exigir que o batedor realize o processo de branqueamento à vista do cliente.

    Deo Martins