Dois casos de alta violência contra motoristas de aplicativo levam réus a júri popular no Distrito Federal

Reprodução/redes sociais
Nesta terça-feira, 14 de julho, o Tribunal do Júri do Distrito Federal será palco de dois julgamentos simultâneos que chocaram a população local e reacenderam o debate sobre a segurança dos motoristas de aplicativo. Em pautas distintas, Antônio Ailton da Silva, de 43 anos, e André Luiz Rodrigues de Magalhães, ambos acusados de ceifar a vida de trabalhadores de plataformas de transporte, enfrentarão o veredito popular. A coincidência das datas dos julgamentos destaca a crescente preocupação com a violência enfrentada por essa categoria profissional.
Júri popular acontece em meio a alerta de segurança para a categoria
Os dois crimes, marcados pela brutalidade e pelas circunstâncias em que ocorreram, trazem à tona a vulnerabilidade dos motoristas que dependem de aplicativos para o sustento. A simultaneidade dos processos não apenas chama a atenção para a celeridade da justiça em casos de grande repercussão, mas também serve como um doloroso lembrete dos riscos inerentes à profissão, que expõe diariamente milhares de indivíduos a situações de perigo em suas rotinas de trabalho.
Detalhes do assassinato de Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão
O primeiro caso a ser julgado nesta terça-feira envolve Antônio Ailton da Silva, que confessou ter estrangulado com um fio de nylon e desferido oito facadas contra a motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, de 49 anos. O crime brutal ocorreu em 26 de fevereiro deste ano, na região do Cruzeiro Velho (DF), e a motivação alegada pelo réu seria uma discussão sobre o pagamento de uma corrida negociada informalmente, no valor de R$ 35.
Horas antes do encontro fatal com Ana Rosa, Antônio Ailton já havia tentado assassinar sua ex-companheira e uma amiga dela no Recanto das Emas. Após a tentativa frustrada, ele fugiu para o Conic, onde perambulou durante a madrugada. Na manhã seguinte, avistou Ana Rosa e propôs uma corrida, fora do aplicativo, até sua residência em Valparaíso de Goiás. Suspeitando da embriaguez de Antônio e da possível falta de pagamento, a motorista alterou o trajeto em direção à 3ª Delegacia de Polícia. Ao perceber a mudança de rota, Antônio Ailton atacou Ana, estrangulando-a e, após uma luta corporal, a esfaqueou.
Mesmo após o ataque, o criminoso ainda assumiu a direção do veículo, mas colidiu contra uma árvore. Ana Rosa conseguiu ligar para o marido em um último pedido de socorro antes de falecer. Antônio fugiu a pé, sendo flagrado por câmeras de segurança. Testemunhas tentaram contê-lo, e um sargento do Exército chegou a persegui-lo, quase sendo esfaqueado, antes que Antônio Ailton fosse finalmente preso por policiais militares na Quadra 504 do Sudoeste.![]()
O atirador de Guará: Morte de Lucas Henrique do Prado Ribeiro
Paralelamente, André Luiz Rodrigues de Magalhães, qualificado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), também será julgado pela morte do motorista de aplicativo Lucas Henrique do Prado Ribeiro, de 35 anos. O incidente ocorreu em uma oficina mecânica no Guará (DF), em 21 de março deste ano. Lucas foi baleado durante uma discussão e permaneceu internado por 13 dias, falecendo em 3 de abril.
A discussão teria sido deflagrada após Lucas, ao sair da oficina, colidir com um veículo no qual André Luiz, filho do proprietário do estabelecimento, estava presente. A irritação evoluiu para um conflito, culminando com André Luiz entrando em uma sala da oficina e disparando contra Lucas. A defesa do réu, contudo, sustenta uma versão diferente, alegando que Lucas teria anunciado um assalto à loja e que André agiu em legítima defesa. Esta versão é veementemente rechaçada pelos familiares da vítima, que afirmam que Lucas, pai de um filho de 7 anos e trabalhador diligente, não teria motivos para cometer um assalto.
O pai de Lucas, Jorge Luiz Prado, expressou sua indignação com a acusação de roubo, destacando a dedicação do filho ao trabalho como motorista de Uber e o impacto devastador da perda na vida de seu neto. Uma testemunha ocular corroborou a versão de que houve uma discussão, mas negou ter ouvido qualquer menção a roubo ou assalto durante o entrevero. André Luiz foi levado à 4ª Delegacia de Polícia e, desde então, responde ao processo em liberdade, aguardando o julgamento nesta terça-feira.
Repercussão e Impacto na Comunidade de Motoristas
Os dois casos, que chegam à fase de júri popular no mesmo dia, projetam uma luz intensa sobre as condições de trabalho e a segurança dos motoristas de aplicativo no Distrito Federal e em todo o país. A comunidade de motoristas de app, que frequentemente denuncia a falta de mecanismos de proteção eficazes, acompanha com apreensão o desfecho desses julgamentos, que podem estabelecer precedentes importantes sobre a responsabilização de agressores e a necessidade de medidas mais robustas para garantir a integridade dos profissionais. A expectativa é que a justiça seja feita e que os vereditos contribuam para a reflexão sobre a segurança pública e os direitos de uma categoria essencial para a mobilidade urbana.
Fonte: https://www.metropoles.com
