Jatinho de R$ 74 milhões: a aeronave de luxo e a polêmica viagem de Flávio Bolsonaro

Últimas Notícias
Um jatinho de luxo Legacy 650, avaliado em cerca de R$ 74 milhões e com ligações à estrutura empresarial do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornou-se o centro de uma controvérsia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. A aeronave foi utilizada pelo parlamentar e sua família em uma viagem da Flórida para Brasília em janeiro de 2025, um fato inicialmente negado e posteriormente confirmado por Bolsonaro, que adicionou um tom irônico à sua declaração.
A revelação da viagem, feita pela revista Piauí e confirmada pelo próprio senador, trouxe à tona detalhes sobre a complexa estrutura de propriedade do avião e seu uso por figuras públicas, incluindo o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa meses após o voo de Bolsonaro. O episódio reacende o debate sobre a transparência no uso de bens de alto valor por políticos e empresários.
A aeronave Legacy 650 e seu valor milionário
Fabricado pela Embraer, o Legacy 650, registrado sob o prefixo PP-NLR, é um modelo de jatinho executivo conhecido por seu conforto e alta performance. A aeronave é projetada para transportar até 13 passageiros, além de três tripulantes, e possui uma impressionante velocidade de cruzeiro de 850 quilômetros por hora. Sua autonomia de voo, que se estende por aproximadamente 6,8 mil quilômetros sem necessidade de reabastecimento, permite viagens diretas de longa distância, como entre o Rio de Janeiro e Miami.
O valor de mercado do Legacy 650 é significativo, com a aeronave em questão tendo sido adquirida pela Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. por US$ 14 milhões em 2023, o equivalente a R$ 74,2 milhões na época. Antes de sua atual configuração de propriedade, o jato pertenceu aos antigos donos das Lojas Riachuelo, indicando um histórico de uso por grandes nomes do cenário empresarial brasileiro.
A viagem de Flávio Bolsonaro: negação e confirmação
A viagem que colocou o jatinho de luxo em evidência ocorreu em 19 de janeiro de 2025, partindo de Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília. A bordo estavam Flávio Bolsonaro, sua esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador e um dos cotistas da aeronave.
Inicialmente, houve uma negação por parte do senador sobre o uso do jatinho. No entanto, diante das evidências, ele confirmou o voo em suas redes sociais, utilizando um tom de ironia. Flávio Bolsonaro afirmou que, no período da viagem, o avião pertencia a Willer Tomaz, e brincou: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, fazendo referência ao uso posterior da mesma aeronave pelo ministro do Supremo Tribunal Federal.
O complexo esquema de propriedade compartilhada
Apesar da declaração de Flávio Bolsonaro, documentos e reportagens indicam que a propriedade do jatinho era mais complexa. A Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro como sócio entre 2021 e setembro de 2025, já detinha um terço das cotas da aeronave no momento do voo do senador. A companhia também estava envolvida na administração e operação do jato, que funcionava sob um sistema de compartilhamento.
A propriedade formal do Legacy 650 estava registrada em nome da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. As três cotas do avião estavam vinculadas a diferentes entidades: uma à Alcazar Holdings, de Willer Tomaz; outra ao empresário Laércio Cosentino, fundador da Totvs; e a terceira à Prime You, que, como mencionado, tinha ligação com Vorcaro na época. Documentos da Polícia Federal revelaram que cada participação, correspondente a 33,33% do jato, foi avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.![]()
Investigação da Polícia Federal e os elos com Willer Tomaz
Os detalhes dos deslocamentos do jatinho de luxo e dos passageiros vieram à tona durante uma investigação da Polícia Federal. A análise do celular e da caixa de e-mails de Willer Tomaz, que está no radar da PF por apurações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, permitiu aos investigadores reconstituir as viagens. Fotografias, reservas e registros de voos foram cruciais para a reconstituição dos fatos.
Registros migratórios confirmaram a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos por Miami em 27 de dezembro de 2024 e sua saída em 19 de janeiro de 2025, com embarque de retorno ao Brasil em Fort Lauderdale. Embora Willer Tomaz negue irregularidades e sustente não ser investigado por fraudes no INSS, a conexão entre o empresário, o senador e a aeronave de alto valor levanta questões sobre as relações entre figuras políticas e o setor privado, e a necessidade de escrutínio público sobre tais interações.
Acompanhe o Infopebas para mais informações aprofundadas e contextualizadas sobre este e outros temas relevantes que impactam a sociedade. Nosso compromisso é trazer a você um jornalismo de qualidade, com análises que vão além da superfície dos fatos.
