Eleições nos Estados Unidos geram alerta máximo contra contestação de Trump

Presidente dos EUA, Donald Trump • Jonathan Ernst/Reuters
Os norte-americanos vão às urnas na terça-feira, 3, em milhares de eleições locais, estaduais e para renovar a Câmara dos Deputados e pouco mais de um terço do Senado. Por todos os quatro cantos do país, no entanto, o maior temor é de que o presidente e a ala mais radical de seu governo repitam o ritual de rejeitar o resultado final, em caso de derrota.
O clima de apreensão política domina diversos pontos estratégicos do território norte-americano, colocando autoridades eleitorais em constante vigilância para garantir a segurança e a transparência do processo de votação.
A tensão política e os desdobramentos na Geórgia
O Estado da Geórgia está em alerta. A derrota de Trump por apenas 11 mil votos nas eleições presidenciais de 2020 ganhou contornos dramáticos após o presidente intimidar funcionários do Estado para reverter o resultado. Até hoje ele segue questionando a eleição.
Nos EUA, as eleições são geridas pelos Estados, por meio da figura do secretário de Estado. Talvez o mais famoso deles seja o republicano Brad Raffensperger. Foi para ele que Trump ligou, em 2020, para pedir os 11,8 mil votos que o colocavam à frente do democrata Joe Biden na Geórgia.
Raffensperger negou e se transformou em uma espécie de pária no Partido Republicano. Ele foi chamado de “Judas” e sofreu ameaças de morte. Em entrevista ao Estadão, ele destacou a lisura do processo eleitoral no Estado e chamou os aliados mais radicais do presidente de “desinformados“.
Medidas de segurança e o combate à desinformação
Raffensperger se diz preparado. Ele foi eleito em 2018 como um republicano conservador que defendia regras mais restritas para votação na Geórgia, com fiscalizações rígidas para garantir que apenas cidadãos americanos votassem.
Nas eleições presidenciais de 2020, ele se manteve firme, mesmo com as pressões de Trump, mas passou a sofrer ataques das alas mais radicais do Partido Republicano. Raffensperger conseguiu a nomeação republicana para disputar o cargo de secretário de Estado em 2022, apesar da oposição do presidente, e foi reeleito, mas a antipatia seguiu.
Em 2026, ele disputou as primárias do partido para o cargo de governador da Geórgia, já que o atual Brian Kemp não pode se candidatar novamente, mas amargou um terceiro lugar, atrás do vice-governador Burt Jones e do empresário Rick Jackson, dois apoiadores de Trump.
O cenário nacional e os riscos institucionais
Além da Geórgia, outros Estados americanos estão em alerta para a possibilidade de Trump tentar interferir nos resultados das eleições. Locais como Ohio, Alasca e Kansas – que têm tendência conservadora mas se tornaram mais competitivos neste ciclo eleitoral – se preparam para cenários adversos.
Mesários estão sendo orientados sobre como proceder caso agentes do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês) apareçam nas zonas de votação e secretários de Estado se reuniram com advogados. O receio é de que o presidente não reconheça os resultados e prejudique a confiança dos eleitores na lisura do processo.
De acordo com uma pesquisa do Washington Post, em parceria com o Instituto Ipsos e a emissora ABC News, sete em cada dez americanos acreditam que Trump não vai reconhecer o resultado das eleições.
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