Eleição Presidencial 2026: Especialistas preveem disputa equilibrada entre imagem própria e ataque ao adversário

 Eleição Presidencial 2026: Especialistas preveem disputa equilibrada entre imagem própria e ataque ao adversário

Marina Verenicz

A corrida pela presidência da República em 2026 promete ser um palco de estratégias complexas, onde a construção da imagem dos candidatos e a desconstrução dos seus adversários se equilibrarão de forma inédita. Segundo a análise de Luiz Flávio Lula Guimarães, renomado jornalista e especialista em marketing político, a campanha deve alocar um tempo equivalente – possivelmente 50% para cada abordagem – na tarefa de apresentar os atributos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que buscam fragilizar a reputação do oponente. Essa previsão, compartilhada durante uma edição especial do Mapa de Risco e Stock Pickers, do InfoMoney, aponta para uma eleição intensamente focada tanto na autopromoção quanto no contraste.

A estratégia dual no centro da campanha

Com mais de duas décadas de experiência em campanhas eleitorais de alto nível, incluindo passagens por disputas presidenciais como as de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014, Geraldo Alckmin em 2018, e Soraya Thronicke em 2022, além da campanha de João Doria à Prefeitura de São Paulo em 2016, Guimarães enfatiza que a polarização das estratégias será um pilar. Ele reitera que, embora a campanha se concentre na edificação da própria candidatura, uma parcela substancial dos esforços será direcionada para a desconstrução da figura do adversário. A televisão, com seu alcance massivo, é apontada como o principal veículo para a intensificação dessa dinâmica, projetando-se como um campo de batalha fundamental para a disseminação de ambas as frentes.

O cobiçado eleitor independente

Diante da consolidação das bases de apoio de Lula e Flávio, o grande desafio estratégico reside na atração do eleitor independente, aquele que não se alinha automaticamente a nenhum dos lados. Marina Verenicz, apresentadora do Mapa de Risco, observou que os primeiros movimentos de campanha de ambos os candidatos tenderam a reforçar seus redutos tradicionais. Enquanto o atual presidente iniciou suas ações em São Bernardo do Campo, Flávio Bolsonaro concentrou-se em Copacabana, palcos simbólicos para suas respectivas bases. Essa tática inicial, de retorno às origens, embora reforce a fidelidade dos apoiadores, pode inadvertidamente distanciar o eleitor do centro, tornando a disputa por esse segmento ainda mais crítica e complexa.

O impacto do desgaste e a complexidade da transferência de votos

Uma nuance importante do cenário eleitoral é a forma como episódios negativos afetam o eleitorado. Verenicz destacou que, muitas vezes, o desgaste sofrido por um candidato devido a revelações ou crises não se traduz automaticamente em ganhos para o oponente. Pesquisas pós-incidentes envolvendo Flávio Bolsonaro, por exemplo, revelaram que parte dos eleitores insatisfeitos migrou para a faixa dos indecisos, brancos ou nulos, em vez de transferir seu apoio diretamente para outros candidatos. Esse fenômeno sublinha que a fragilização de um concorrente não garante, por si só, a captação de votos pelos demais, exigindo um trabalho mais profundo de convencimento e diferenciação.

A economia como campo de batalha narrativo

Um dos terrenos mais férteis para a construção e desconstrução de imagens será a economia. Guimarães projeta que tanto a campanha governista quanto a oposição apresentarão visões diametralmente opostas sobre a situação econômica do país. Enquanto os aliados de Lula tenderão a destacar indicadores positivos e a estabilidade, o grupo bolsonarista deve focar na percepção de caos, insegurança jurídica e econômica. Essa ‘disputa de narrativas‘ sobre a realidade do país é avaliada como ‘muito poderosa‘ e com potencial de grande impacto. A relevância dessa batalha se acentua, como apontado por Verenicz, pela discrepância entre os dados macroeconômicos e a percepção individual do eleitor, que frequentemente sente um poder de compra reduzido, independentemente das estatísticas oficiais.

Conclusão: Uma eleição de estratégias multifacetadas

A análise dos especialistas em marketing político delineia uma eleição presidencial onde a dualidade estratégica entre a apresentação de propostas e a crítica ao adversário será dominante. A capacidade de cada campanha em cativar o eleitor independente, mitigar os efeitos do desgaste e, principalmente, impor sua narrativa sobre a economia, será determinante para o resultado final. O cenário aponta para uma disputa de ideias e imagens que transcende a simples apresentação de plataformas, exigindo dos candidatos e suas equipes uma agilidade e sofisticação contínuas na comunicação e no posicionamento para conquistar a preferência do eleitorado.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

    Deo Martins