Ato na Avenida Paulista reforça defesa da democracia e busca por votos

 Ato na Avenida Paulista reforça defesa da democracia e busca por votos

Ricardo Stuckert

A Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais de São Paulo, foi palco de uma grande mobilização política neste domingo (11/10). O ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou milhares de pessoas sob o mote central da defesa da democracia e da necessidade de reverter o cenário eleitoral após o primeiro turno. O evento, que contou com a presença de lideranças nacionais, focou na estratégia de convencer eleitores que se abstiveram de votar na etapa anterior do pleito.

Mobilização e o desafio da abstenção

Durante seu discurso, o presidente Lula enfatizou que a campanha vai além da oferta de políticas públicas básicas, como alimentação e emprego. Segundo o candidato, o debate central gira em torno da manutenção das liberdades democráticas. Ele destacou a preocupação com os cerca de 30 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno, classificando a reconquista desses eleitores como uma obrigação cívica e política para o futuro do país.

“Esse país não pode perder a democracia por pior que ela seja”, afirmou Lula, ao criticar a postura de seus adversários políticos. O presidente reforçou que a participação no processo eleitoral é um dever que atravessa gerações, incentivando os presentes a dialogarem com familiares e conhecidos que optaram pela abstenção, independentemente da faixa etária.

Alckmin e a memória da Revolução de 1932

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também utilizou o palanque para reforçar o compromisso com o Estado Democrático de Direito. Em uma fala carregada de referências históricas, Alckmin relembrou a Revolução Constitucionalista de 1932, citando nomes como Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo como símbolos da resistência paulista em prol da Constituição.

“São Paulo não quer ditadura. São Paulo deu a vida pela Constituição e ninguém vai rasgar a Constituição brasileira”, declarou o vice-presidente. A fala foi acompanhada por uma multidão que portava cartazes com mensagens contrárias a regimes autoritários e em defesa da estabilidade institucional, em um momento de acirramento da retórica política nacional.

Propostas e o cenário da disputa

Além da defesa institucional, o evento serviu como plataforma para o anúncio de diretrizes de um eventual novo mandato. Lula prometeu investimentos em uma revolução tecnológica, com foco em inteligência artificial e indústria digital, além de uma reestruturação na segurança pública. O candidato garantiu que sua gestão buscará aliar a proteção social com o combate rigoroso à criminalidade.

O cenário atual é de disputa acirrada. No primeiro turno, o candidato Flávio (PL) obteve 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Com uma abstenção recorde de 21,08% do eleitorado, a campanha petista intensificou a comunicação digital e as ações de rua para tentar virar o jogo. O governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas (PT), também participou do evento, reforçando a necessidade de união regional contra propostas econômicas que, segundo ele, seriam prejudiciais ao Brasil, citando como exemplo o cenário político na Argentina.

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    Deo Martins