Atentado em Parauapebas: BOPE desativa explosivos em fábrica de rações em meio a disputa judicial milionária

 Atentado em Parauapebas: BOPE desativa explosivos em fábrica de rações em meio a disputa judicial milionária

Na manhã desta segunda-feira (27), uma equipe antibomba do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) realizou uma varredura técnica na fábrica de rações Karajás, localizada no bairro Palmares Sul. A ação visou neutralizar artefatos remanescentes de um atentado ocorrido no último final de semana, quando uma explosão destruiu um dos silos da unidade.

O cenário encontrado pelas autoridades aponta para uma ação planejada com “proporções bélicas“. Segundo o Coronel Dayvid, do Comando de Policiamento Regional 14 (CPR-14), os criminosos instalaram três explosivos em pontos vitais da infraestrutura: no silo, na caldeira e no compressor.

O objetivo era paralisar definitivamente as operações. Eles utilizaram um rastilho de pólvora para interligar os dispositivos, mas uma mangueira no trajeto do pavio interrompeu a linha de fogo, impedindo que as cargas da caldeira e do compressor detonassem“, explicou o oficial. O BOPE utilizou equipamentos de raio X para avaliar os artefatos antes da remoção segura.

Disputa Judicial e Suspeita de Fraude

O atentado ocorre em um momento de extrema tensão jurídica na empresa. Paralelamente à perícia policial, foi cumprido nesta segunda-feira um mandado de reintegração de posse e de sócio em favor de Welliton da Silva Almeida.

O processo, que tramita na 3ª Vara Cível e Empresarial de Parauapebas, envolve uma acusação de fraude societária. Segundo a defesa de Welliton, sua assinatura digital teria sido usada indevidamente por uma contadora em julho de 2025 para removê-lo do quadro de sócios. O empresário move uma ação de anulação de negócio jurídico com pedido de indenização por danos morais no valor de R$ 2,4 milhões.

A oficiala de Justiça confirmou que a reintegração ocorreu de forma pacífica nesta manhã, formalizando o retorno de Welliton à gestão da companhia.

Ameaças de Explosão

Relatórios policiais anteriores já indicavam o risco de violência. Em março de 2026, testemunhas ligadas a Welliton registraram um boletim de ocorrência por ameaça. Segundo o relato, um indivíduo teria declarado em uma conveniência que, caso perdesse a disputa judicial pela fábrica, “iria explodir tudo“.

Além disso, funcionários relataram que seguranças armados teriam sido instruídos a impedir, inclusive com o uso de força, a entrada de qualquer pessoa ligada ao sócio reintegrado.

Investigação em Curso

A Polícia Civil investiga se o ataque — classificado pelo diretor da empresa, João Paulo Eliziário, como um “ato terrorista de sabotagem industrial” — possui ligação direta com as ameaças registradas e a disputa pelo controle da fábrica.

Até o momento, sabe-se que os invasores acessaram a propriedade pulando o muro de um terreno vizinho. As autoridades buscam agora identificar os executores e os possíveis mandantes do crime.

Com informações e fotos de Ronaldo Modesto

    Deo Martins