Adolescente acusado de brutalidade animal e plano de ataques é internado no Pará

Patrick
A Polícia Civil do Pará deflagrou, na última terça-feira (23), a operação “Ultimato“, que culminou na apreensão e internação provisória de um adolescente de 15 anos. Ele é acusado de praticar maus-tratos e assassinar gatos, transmitindo os crimes ao vivo por plataformas digitais com o objetivo de monetização. A ação foi realizada pela Unidade Integrada de Polícia de São Félix (UISP São Félix), com o apoio da Seccional Urbana de Polícia Civil de Marabá, após a expedição de um mandado judicial.
Crimes de crueldade transmitidos e monetizados
As investigações revelaram que o adolescente confessou ter matado três gatos, utilizando métodos de extrema crueldade, como a quebra do pescoço com faca e o esquartejamento dos animais. Esses atos hediondos eram praticados e transmitidos em tempo real para um grupo fechado no aplicativo Telegram, denominado “SSK“, além de outras plataformas como Discord e ambientes da Dark Web. O jovem recebia pagamentos, variando entre R$ 290 e R$ 400 em diferentes ocasiões, de participantes dos grupos para realizar e exibir os ataques contra os felinos.
Os crimes teriam ocorrido entre janeiro e abril, na residência do adolescente localizada no bairro São Félix. A Polícia Civil tomou conhecimento dos fatos após receber denúncias que circulavam amplamente em redes sociais e perfis de Marabá, alertando para a gravidade das imagens e relatos.
Histórico de radicalização e risco elevado
O caso ganhou contornos ainda mais preocupantes devido ao histórico infracional do adolescente. A Polícia Civil informou que ele já estava envolvido em investigações anteriores por atos infracionais graves, incluindo ameaças e o planejamento de massacres em unidades escolares locais. Diante da combinação entre a prática de tortura animal e o planejamento de violências em ambientes educacionais, as autoridades classificaram o jovem como de alto risco, indicando um preocupante processo de radicalização.
Essa conjuntura levou a representação pela internação provisória, medida considerada essencial para salvaguardar a sociedade e o próprio adolescente, dada a seriedade e o padrão de comportamento violento identificado.
Ação judicial e enquadramento legal
A solicitação de busca, apreensão e internação provisória, feita pela Polícia Civil, foi prontamente deferida pelo Juizado da Infância e da Juventude. O adolescente foi ouvido na presença de sua mãe e, após seu depoimento onde reiterou a prática dos atos e o recebimento de valores, foi encaminhado para internação conforme a determinação judicial.
Os atos do adolescente se enquadram no crime de maus-tratos a animais com resultado morte, tipificado no Artigo 32, parágrafos 1º-A e 2º da Lei 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Para crimes envolvendo cães ou gatos, a legislação prevê pena de reclusão, multa e proibição da guarda, com a pena podendo ser aumentada em até um terço caso haja a morte do animal. Por se tratar de um menor, o caso é processado pela Justiça da Infância e da Juventude, que aplicará medidas socioeducativas em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Investigações proseguem para identificar outros envolvidos
A Polícia Civil ressaltou que as investigações não se encerram com a internação do adolescente. O foco agora se volta para a identificação de outros possíveis envolvidos no grupo do Telegram que possam ter orientado, financiado ou de alguma forma contribuído para os atos de crueldade. A extração pericial dos dados telemáticos do aparelho celular apreendido com o jovem será crucial para dar prosseguimento aos trabalhos, visando identificar eventuais coautores, incentivadores ou aliciadores atuantes nas plataformas virtuais.
Diligências complementares estão em curso para qualificar a participação de outros indivíduos no grupo “SSK” do Telegram. A corporação também formalizou as comunicações de praxe ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, garantindo a transparência e a legalidade de todas as etapas do processo.
A Operação Ultimato, executada com a dedicação e coordenação de uma equipe especializada da Polícia Civil, reafirma o compromisso das forças de segurança em combater não apenas a crueldade animal, mas também a crescente ameaça da radicalização juvenil e o uso de plataformas digitais para a prática de crimes.
