Choque anafilático mata Janaína Barbosa e alerta para reação alérgica extrema

 Choque anafilático mata Janaína Barbosa e alerta para reação alérgica extrema

Foto: Reprodução

Em São Paulo, a ex-apresentadora Janaína Barbosa, 48 anos, teve a morte provocada por um choque anafilático depois que seu medicamento foi trocado. Essa reação, considerada a mais grave entre as respostas do sistema imunológico, surge em questão de segundos e faz a pressão arterial despencar rapidamente até o colapso da circulação sanguínea.

O episódio trágico traz à tona a discussão sobre a gravidade das alergias medicamentosas e a velocidade com que o corpo humano pode reagir a substâncias que deveriam ser seguras. A compreensão dos mecanismos por trás desse tipo de emergência médica é fundamental para identificar os primeiros sinais e buscar socorro médico imediato.

quando a defesa do corpo sai do controle

Presentes na pele, nas vias respiratórias e em diversos tecidos, as células de defesa agem como sentinelas do organismo. Quando reconhecem alguma substância como perigo, mesmo que ela seja inofensiva à maioria das pessoas, liberam de uma vez tudo o que guardam, entre isso a histamina, o composto responsável por acionar o processo inflamatório.

Quando há anafilaxia, o disparo acontece simultaneamente em várias regiões, e a histamina age por onde passa. No tecido cutâneo aparecem placas avermelhadas, coceira intensa e inchaço repentino.

Já nos pulmões, com o estreitamento dos brônquios e o aumento da produção de muco, surgem episódios de tosse e forte falta de ar. Nos vasos sanguíneos ocorre a consequência mais perigosa: ao se dilatarem de forma extrema, permitem que o líquido escape da corrente sanguínea em direção aos tecidos.

Com menos volume circulando, a pressão arterial cai bruscamente e, para tentar fazer o sangue chegar aos órgãos vitais, o coração passa a bater muito mais rápido. Se essa queda avança até o colapso total da circulação, o quadro evolui para o temido choque anafilático.

sintomas que aparecem em vários órgãos

Em mais de nove de cada dez episódios, a pele reage apresentando vermelhidão, coceira, urticária e inchaços, embora as manifestações clínicas não se limitem a essa região. Entre outras possibilidades estão a falta de ar aguda, a impressão de que a garganta está se fechando, vômitos, dor na barriga, tontura e perda total de consciência.

Depois do contato com o agente que provoca a reação, os sintomas podem aparecer em questão de segundos, de minutos ou até de horas. Existem situações clínicas em que a pele não apresenta manchas aparentes, o que acaba atrasando a identificação correta do problema.

A Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que, para justificar um diagnóstico imediato e cuidados urgentes, bastam dois ou mais sintomas desse tipo surgindo logo após a exposição a uma substância suspeita.

remédios lideram os gatilhos em adultos

Entre os desencadeadores mais frequentes figuram medicamentos, látex, picadas de insetos e diversos tipos de alimentos. Nas crianças, a maioria dos quadros tem origem alimentar; nos adultos, no entanto, análises científicas apontam os remédios como fator principal, com destaque para antibióticos e anti-inflamatórios.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia levou à Câmara dos Deputados uma pesquisa sobre ocorrências no país: nela, 25,3% dos episódios tiveram origem em medicamentos, dos quais 10,8% ligados a anti-inflamatórios e 4,4% a antibióticos específicos.

Não existe uma única rota para o desenvolvimento da crise alérgica. Em alguns casos o remédio já havia sensibilizado o sistema imunológico anteriormente, desencadeando a reação clássica; em outros, as células são ativadas de maneira direta pela substância, sem que tenha havido alergia prévia.

adrenalina é o primeiro recurso

Assim que a anafilaxia é reconhecida por profissionais da saúde, a reversão do quadro depende fundamentalmente de uma dose de adrenalina aplicada no músculo, com preferência pela região lateral da coxa. Diretrizes internacionais reforçam essa recomendação, embora apontem que o medicamento ainda é empregado menos do que o necessário.

Corticoides e anti-histamínicos entram no protocolo apenas como suporte secundário, sem substituir a adrenalina. Especialistas alertam que a ausência dessa aplicação rápida pode estar diretamente relacionada a mortes decorrentes da reação alérgica extrema.

Até a chegada do atendimento especializado, é indispensável acionar o serviço de emergência ou conduzir a vítima rapidamente ao pronto-socorro mais próximo. Na internação hospitalar, o tratamento exige oferta de oxigênio, hidratação intravenosa e monitoramento constante.

o que fazer depois da crise

Após superar um quadro grave de anafilaxia, o paciente precisa obrigatoriamente ser encaminhado para acompanhamento com um médico alergista. O especialista é responsável por investigar qual substância exata provocou a reação, avaliar os riscos de novos episódios e orientar sobre prevenção.

Se a causa estiver relacionada a um fármaco, a investigação médica busca identificar quais outras substâncias devem ser evitadas pelo paciente. A ampliação do debate sobre o tema e a notificação rigorosa de casos ajudam a salvar vidas e a aprimorar os protocolos de atendimento em todo o país.

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    Deo Martins