Auto do Círio une fé e cultura nas ruas de Belém com homenagem ao patrimônio

 Auto do Círio une fé e cultura nas ruas de Belém com homenagem ao patrimônio

Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará

A celebração da identidade paraense no centro histórico

As ruas do centro histórico de Belém foram transformadas em um vibrante palco a céu aberto nesta sexta-feira, 09, durante mais uma edição do Auto do Círio. Com o tema “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé”, o evento reafirmou seu papel como um dos pilares da cultura popular paraense, fundindo a devoção religiosa à Virgem de Nazaré com a valorização do patrimônio histórico da capital.

O espetáculo, que teve sua concentração na Praça do Carmo e seguiu em direção à Praça Dom Pedro, é realizado como um projeto de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA). A iniciativa busca, através da arte, promover um diálogo entre o sagrado e o profano, consolidando a identidade amazônica como elemento central das festividades que antecedem o Círio de Nazaré.

Arte e memória nas ruas de Belém

A encenação deste ano contou com a participação de artistas que trouxeram elementos lúdicos e históricos para o cortejo. Entre os destaques, o ator e artista plástico Max Suassuna personificou o fantasma do Theatro da Paz. Sua performance foi uma escolha deliberada para reforçar o tema da edição, que clama pela preservação dos espaços históricos da cidade.

Para Suassuna, o Auto do Círio transcende a estética, sendo uma manifestação profunda de afeto e fé. “O Auto do Círio é a homenagem que os artistas paraenses fazem para Nossa Senhora de Nazaré. É a nossa forma de expressar o quanto nós a amamos e a nossa devoção”, declarou o artista durante o trajeto.

A força da devoção popular

O evento também é marcado pela dedicação de voluntários que veem na manifestação uma forma de renovar seus votos. A artesã Rosa Sales, de 79 anos, é um exemplo dessa entrega. Integrante do projeto desde 2008, ela representou Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em uma performance que exige meses de preparação e ensaios intensos.

Moradora de Icoaraci, Rosa destaca que o esforço do deslocamento é recompensado pela emoção do espetáculo. “Eu achei formidável, uma bênção, uma graça. Eu amo Nossa Senhora Aparecida. O Auto do Círio é sempre emocionante, assim como o próprio Círio”, afirmou a artesã, que encontrou no projeto uma forma de expressar sua espiritualidade.

O encontro entre religiosidade e cultura

O público que acompanhou o cortejo pôde observar a integração entre diferentes gerações e expressões artísticas. Para a cantora e artista visual Giovanna Bitar, de 26 anos, o evento é um momento de reconhecimento da própria história do Pará. Ela ressalta que a dimensão cultural da festividade é indissociável da devoção religiosa que move a cidade.

“A religião também é cultural. Não é só Nossa Senhora, é a história do lugar, é a história do Pará, de Belém e do que a Santa causa na vida das pessoas”, pontuou Bitar. Sob a direção geral de Inês Antônia Ribeiro, o Auto do Círio reafirmou, mais uma vez, sua relevância como um movimento que mantém viva a memória e a fé dos paraenses.

Continue acompanhando o Infopebas para mais notícias sobre as manifestações culturais e os principais acontecimentos que movimentam o Pará e a região amazônica. Nosso compromisso é levar até você informação de qualidade, contextualizada e relevante.

    Deo Martins