Musicoterapia auxilia na recuperação de pacientes da Ala Covid-19 do HGP

 Musicoterapia auxilia na recuperação de pacientes da Ala Covid-19 do HGP

Um projeto esboçado desde o início da pandemia se concretiza cada vez mais na Ala Covid-19 do Hospital Geral de Parauapebas (HGP), no Pará. Gerenciada pelo Instituto Acqua, com aporte da Vale em parceria com a Prefeitura Municipal de Parauapebas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), a unidade adotou a musicoterapia para somar nos tratamentos dos pacientes.

Às sextas-feiras, em cada final de tarde, pacientes da enfermaria apreciam apresentação musical por cerca de uma hora. Com violão, percussão e instrumentos de sopro, o trio composto por um psicólogo e dois estudantes da área da saúde, canta hinos religiosos e clássicos da música nacional, com muita animação.

A ideia surgiu na primeira semana de funcionamento do Hospital de Campanha, em maio de 2020, quando o psicólogo Felipe Lemos de Oliveira se inspirou em um vídeo de um hospital de Belém. “Protocolei a ideia e discuti com a direção para alinharmos como seria a proteção dos músicos e pacientes, prevenindo o contágio da doença. O projeto se concretizou com a participação de mais dois músicos, que vieram somar na terapia”, explicou o psicólogo.

Andrey William Araújo Silva estuda medicina na UFPA da cidade de Altamira e retornou para Parauapebas após início de aulas online. O estudante conta que já participava de um projeto no hospital de Altamira, tocando diversas músicas para os profissionais de saúde.  “É muito satisfatório poder fazer isso agora, também, para os pacientes, porque eles ficam lá dentro do hospital por muito tempo. Durante a pandemia todos ficamos enjaulados, e quebrar esta rotina com a música traz diversos benefícios”, explicou.

A cada sexta-feira o show é praticamente inédito para os pacientes que vão até o coreto ao ar livre, em área dentro do terreno da unidade. “Às vezes a pessoa não está em condições de sair do leito de enfermaria, e quando o paciente já consegue ir lá fora para ver a gente tocando, não demoram muitos dias para receber alta. Por isso o show presencial acaba sendo único”, explicou Andrey Silva.

O psicólogo Felipe Oliveira explica que o órgão que mais demanda oxigênio é o cérebro, e quando há algum tipo de sofrimento emocional, ele fica em extrema atividade, e trabalha 3 a 4 vezes mais que o normal, gastando muito oxigênio. Quando há tranquilidade, o cérebro trabalha um pouco diferente, proporcionando sensações livres de preocupações e trazendo momentos de esperança que fazem o organismo responder melhor. “O resultado disso é a revitalização de energia que faz o paciente ter uma melhora muito mais rápida. Não só a parte técnica traz benefícios, mas também a emocional”, pontua.

A musicoterapia também atinge os profissionais de saúde. Os fisioterapeutas, por exemplo, já fazem um trabalho de caminhada com os pacientes e sempre vêm acompanhá-los nesta terapia. Os técnicos monitoram a saturação e, também, se divertem cantando. “Nós temos um trabalho de humanização com os profissionais para todos trabalharmos dando a melhor estadia a cada pessoa internada. Quando chega este momento, a alegria toma conta de todos, mesmo que o plantão tenha sido difícil na unidade, é perceptível o resultado imediato que a música produz em cada um”, descreve o psicólogo.

Samara Batista – Assessoria de Imprensa Instituto Acqua Pará

Deo Martins